"A retórica do mito do progresso, "Brasil, um país sem memória
Datos Bibliográficos
| ID | 3071640 |
|---|---|
| Autores | Cornelia Eckert (0000-0002-2815-7064, Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Ana Luiza Carvalho Da Rocha (0000-0002-2294-5932, Universidade Federal do Rio Grande do Sul) |
| Año | 2000 |
| Volumen | 1 |
| Número | 2 |
| Fecha de publicación | 2000-12-01 |
| Peer Reviewed | Sí |
| Open Access | Sí |
| Tipo | ARTICLE |
| Revista | ILUMINURAS (JOURNAL) |
| Identificadores de la revista | ISSN: 1984-1191 • E-ISSN: 1984-1191 |
| Editorial | Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.22456/1984-1191.9105 |
| OpenAlex | W2103287091 |
| Idioma | PT |
| Citas recibidas | 1 |
| Referencias citadas | 1 |
Brasil, Arapongas, l938, um antropólogo francês em visita ao país não se contém diante do dinamismo das imagens do tempo que presidia o nascimento da cidade nos Trópicos e afirma que ali habita um povo cujo trajeto da barbárie à decadência jamais havia conhecido a força da civilização. Isso foi dito em Tristes Trópicos (1955), onde Lévi Strauss colore um país bucólico e nostálgico na descrição de suas reminiscências. Construindo um gênero estilístico marcado pelo seu espanto frente ao deslocamento do eu (Europa) para o outro (Brasil), narra um país nativo ameaçado pela "fricção interétnica"2 e pelas conseqüências da modernidade nas cidades brasileiras que ele qualifica como tristes porque degradadas na flecha do tempo. À mercê dos mitos da ruína e do fracasso e sob a pressão de fábulas progressistas, as cidades industriais da América tropical dos anos 30 alimentar-se-iam vorazmente do novo, sem nenhum compromisso com o seu passado histórico. O passado do lugar (le pays, das land) e toda a duração de processos sociais diversos eram reduzidos à idade do mundo colonizador e ao modelo evolutivo de longo prazo (longue durée) constitutivo da experiência e do pensamento europeu, repousando o Brasil na imagem de um tempo agitado, vertiginoso. Sob a égide da sua experiência temporal, o olhar estrangeiro de Lévi Strauss revisita as suas próprias lembranças vividas na Velha Europa (adulta) e nos mundos colonizados (infantilizados) à medida que adentra as diferentes regiões do Brasil, do litoral ao sertão. Desfiando o mito europeu do Progresso, a sociedade brasileira se apresenta ao antropólogo francês sob a ótica de um ciclo temporal agitado, discordando da cadência contínua da lógica centrada na experiência européia pela qual se orienta o autor dos Tristes Trópicos. Aprisionado ao antagonismo de uma concepção de tempo vertiginoso que tudo devora e de um tempo lento que tudo reconcilia, o pensamento eurocêntrico de Lévi Strauss limita a possibilidade interpretativa da experiência temporal das cidades brasileiras. Nesse sentido, ao analisar as cidades brasileiras, o autor constata que, nelas, o engajamento humano é precário, os citadinos são desprendidos e a estética urbana é regida pela desordem. Elementos estruturantes de deformações à ordem processual idealizada na memória "do" social no Velho Mundo. O país perde-se na informidade temporal, sem poder contribuir na mesma eficácia de significados às interpretações das estruturas simbólicas do desenvolvimento do patrimônio humano universal. Nas trilhas de um tempo curto e seguindo-se o ritmo da história unilateral e triunfante da Modernidade, muito se tem afirmado a respeito do aspecto indigente, mutante e mutável da vida social nos Trópicos tanto quanto tem sido comentado a propósito da imagem da destruição que encerra o processo de instalação do fenômeno urbano brasileiro. Daí insistir-se aqui em interpretar a poética da instabilidade no Brasil e, em reconhecer a construção de significado político (política da forma e do gênero discursivo e interpretativo da historiografia e da etnografia) no qual repousam as representações que oferecem explicações sobre a trajetória brasileira como desvio (ou contramão) de uma estética baseada na ordem e na harmonia do projeto civilizatório
Art · Humanities · Diverse multidisciplinary academic research · French Urban and Social Studies · Urban and sociocultural dynamics
| Obras citantes distintas | 1 |
|---|---|
| Citas por año | 0,04 |
| Intervalo de citas | 2002 - 2002 (1) |
| Velocidad de citación | historical |
| Altamente citado | No |
| Tipos de cita | Neutras: 1 |