E Jossias
Biographic Data
| ID | 50531 |
|---|---|
| NAME | E Jossias |
| GIVEN NAMES | E |
| FAMILY NAME | Jossias |
| SIGNATURE | JOSSIAS E |
| AFFILIATIONS | Eduardo Mondlane University |
| ORCID | 0000-0001-7714-9792 |
| VERIFIED | Yes |
| TOTAL WORKS | 15 |
| TOTAL CITATIONS | 0 |
| AUTHOR COUNT | 15 |
| EDITOR COUNT | 0 |
| FIRST PUBLICATION YEAR | 2022 |
| LATEST PUBLICATION YEAR | 2024 |
| H-INDEX | 0 |
Lógica espacial e experiência de longo termo
Neste capítulo falo da territorialização (Vieira, Amoroso e Viegas 2015; Godoi 2014) dos Nyanja como resultado da confluência de várias modalidades de mapeamentos que se foram sucedendo ao longo de cerca de dois séculos. Mostro como a territorialização dos Nyanja é parte do processo histórico de inscrição espacial dos grupos étnicos do norte de Moçambique. O uso da noção de territorialização permitiu estabelecer um diálogo com os debates que real…
Conclusão: Propriedade da terra como lugar de disputas
Este livro foi motivado pela experiência de delimitação de terras comunitárias em Cóbuè. Interessou-me discutir a ideia de comunidade que acompanhou esta delimitação e o seguimento dos processos de estruturação social, em torno da reivindicação da posse e propriedade da terra, que se seguiram. Os vários capítulos do livro procuraram evidenciar que no caso de Cóbuè terra e território são atravessados por questões de pertença e identidade, cujos re…
Ordem de chegada como princípio de hierarquia dos territórios
No fim de uma jornada normal de trabalho de campo e em mais uma conversa com o Maganizo, mostrei a minha preocupação sobre o facto de os mafumu narrarem sistematicamente histórias territoriais durante as nossas conversas. Tínhamos acabado de analisar a conversa que tínhamos tido um dia antes com o mfumu Chiteji e com o seu nduna de nome Malipa e o contexto favoreceu o início da conversa sobre o assunto. Em resposta à questão por mim colocada ele …
Introdução: Ser viente em terra de vientes
Todos somos ‘vientes’ mas nós da comunidade de Chicaia fomos os primeiros a chegar. Os nossos antepassados vieram da África do Sul. Quando saíram da África do Sul passaram por Malawi, de lá partiram para Tanzania (Massassi) e depois desceram aqui para Cóbuè. A primeira pessoa a chegar em Cóbuè foi Delalani, o primeiro régulo que foi seguido por Mtaya (Chilambula), régulo Pendeca (também Mtaya), Chatenda, Malizeni, Makenzi, Matundama e por fim Isa…
Os conhecedores da história dos Nyanja
Na literatura historiográfica e antropológica sobre os Nyanja, as principais fontes orais são os mafumu, os sacerdotes anglicanos e alguns professores. Tal como no caso dos Nyanja, na etnografia e na historiografia sobre os contextos africanos tem sido recorrente ter como principais interlocutores das pesquisas as pessoas ligadas ao poder tradicional e aos anciãos, justificando-se essa condição apenas por uma questão geracional. Nesse particular,…
Divisão administrativa da província do Niassa
Mapa 1. Divisão administrativa da província do Niassa, destacando-se o Posto Administrativo de Cóbuè Fonte: Departamento de Arqueologia e Antropologia, Universidade Eduardo Mondlane, 2023
Pa Mtengo wa mai: Lugar, pertença e posse da terra
Parti com o Maganizo da sede de Cóbuè para Chigoma, num percurso de quatro horas de caminhada e fizemos uma boa parte do percurso pelas margens do lago, em terras arenosas e atravessando alguns riachos. Na sua maioria os riachos são os marcos topográficos que separam territórios e terras dos chefes tradicionais e das famílias que habitam as margens do lago Niassa. Nas mesmas margens, sobretudo nas áreas planas, passamos por vários acampamentos de…
Os habitantes da água, os Nyanja
As aldeias são localizadas por referência aos ndunas e régulos, os principais chefes tradicionais da região, e representam uma malha de concentração populacional constituindo autênticos registos topográficos ao longo das margens do lago Niassa. O somatório destas pequenas aldeias faz emergir as divisões administrativas formais do território do distrito do Lago: as povoações, as localidades e os postos administrativos. As designações destas aldeia…
Khamu: Casa como lugar de cultivo da mandioca
A constituição de um khamu, enquanto casa, é parte do princípio da autonomia de uma pessoa em relação aos co-residentes de um mesmo domicílio e que marca a fase adulta. Uma casa distingue-se pela associação dos seus donos a um lugar de preparação de refeições (cozinha) e, desta forma, agrega funções económicas, tais como produzir a própria mandioca e preparar a sua comida. Entretanto, fruto do processo histórico de constituição dos muji de facto …
Chiwelewele cho tchelatchela – renegociar a comunidade
A delimitação das terras comunitárias envolveu a recolha, produção e validação de uma narrativa sobre a história dos territórios para legitimar os limites e a existência da comunidade como detentora dos direitos sobre a terra. Este processo, de forma provavelmente não intencional, trouxe para o debate a posição do Régulo Mataka como o régulo mais importante de Cóbuè. Remetido a outros processos políticos em curso na mesma região, tal como a possi…
Antropologia, territorialização e historicidades
Na literatura antropológica fui buscar inspiração nos debates sobre a noção de história como vivência, que combina ao mesmo tempo dimensões de inovação e construção (cf. Calavia Sáez 2005, 2008; Gangenbach 2005; Gow 1991, 2001; Mazarire 2010; Ranger 2013; Viegas 2007; Whitehead 2003; Worby 1994), numa tentativa de superação das abordagens iniciais da antropologia histórica e da etno-história, que procuravam nas tradições orais a manifestação da c…
A delimitação das terras comunitárias em Cóbuè
“To do a project like this we needed a lot of land and not many people” (Patrick, fundador do Nkwich Lodge citado por Simkin 2008, 61) O fundador do Nkwitch Lodge, empreendimento turístico que despoletou a delimitação das terras comunitárias, é carinhosamente chamado pelas pessoas de Cóbuè por “branco da Inglaterra”. A chegada deste senhor na região de Cóbuè, em 1998, representa mais um registo da historicidade local que, para além da construção …
O encontro com Maganizo
O meu trabalho de campo esteve muito intensamente ligado à minha relação com Maganizo, uma relação que implicou parceria e negociação, tal como vem sendo reconhecido por alguns autores (cf. Viegas e Mapril 2012; Marcus 2010; Cabral e Lourenço 1993). O decurso da pesquisa de campo fez-me reflectir constantemente sobre as condições de produção do texto etnográfico. Concordando com os autores que afirmam que as interpretações desenvolvidas pelo antr…
Experiencing the uncertainty of development: Ethnographic notes from central and northern Mozambique
In this paper, we critically evaluate the insertion of anthropologists in the field in two locations in central and northern Mozambique, focusing on the negotiation and production of ethnographic data in contexts of uncertainty. The anthropologists entered the field sites of Micaúne and Cóbuè via non-governmental organisations (NGOs) and their existing development projects. During the fieldwork, the researchers developed a relationship of proximi…
Renegociar a comunidade e disputar territórios: Posse e propriedade nas terras comunitárias na região do lago Niassa
O presente artigo parte da experiência de delimitação de terras comunitárias, em Cóbuè, província do Niassa, para analisar a interface entre as lideranças tradicionais e os sistemas costumeiros de terras, em Moçambique, enquadrando os debates sobre terra e território, posse e propriedade da terra, bem como os encontros com a história territorial, os impactos das transformações, da legislação e da demanda por terras. O material etnográfico, que co…
No prominent works on this page.
Renegociar a comunidade e disputar territórios: Posse e propriedade nas terras comunitárias na região do lago Niassa
O presente artigo parte da experiência de delimitação de terras comunitárias, em Cóbuè, província do Niassa, para analisar a interface entre as lideranças tradicionais e os sistemas costumeiros de terras, em Moçambique, enquadrando os debates sobre terra e território, posse e propriedade da terra, bem como os encontros com a história territorial, os impactos das transformações, da legislação e da demanda por terras. O material etnográfico, que co…
Experiencing the uncertainty of development: Ethnographic notes from central and northern Mozambique
In this paper, we critically evaluate the insertion of anthropologists in the field in two locations in central and northern Mozambique, focusing on the negotiation and production of ethnographic data in contexts of uncertainty. The anthropologists entered the field sites of Micaúne and Cóbuè via non-governmental organisations (NGOs) and their existing development projects. During the fieldwork, the researchers developed a relationship of proximi…
Lógica espacial e experiência de longo termo
Neste capítulo falo da territorialização (Vieira, Amoroso e Viegas 2015; Godoi 2014) dos Nyanja como resultado da confluência de várias modalidades de mapeamentos que se foram sucedendo ao longo de cerca de dois séculos. Mostro como a territorialização dos Nyanja é parte do processo histórico de inscrição espacial dos grupos étnicos do norte de Moçambique. O uso da noção de territorialização permitiu estabelecer um diálogo com os debates que real…
Conclusão: Propriedade da terra como lugar de disputas
Este livro foi motivado pela experiência de delimitação de terras comunitárias em Cóbuè. Interessou-me discutir a ideia de comunidade que acompanhou esta delimitação e o seguimento dos processos de estruturação social, em torno da reivindicação da posse e propriedade da terra, que se seguiram. Os vários capítulos do livro procuraram evidenciar que no caso de Cóbuè terra e território são atravessados por questões de pertença e identidade, cujos re…
Ordem de chegada como princípio de hierarquia dos territórios
No fim de uma jornada normal de trabalho de campo e em mais uma conversa com o Maganizo, mostrei a minha preocupação sobre o facto de os mafumu narrarem sistematicamente histórias territoriais durante as nossas conversas. Tínhamos acabado de analisar a conversa que tínhamos tido um dia antes com o mfumu Chiteji e com o seu nduna de nome Malipa e o contexto favoreceu o início da conversa sobre o assunto. Em resposta à questão por mim colocada ele …
Introdução: Ser viente em terra de vientes
Todos somos ‘vientes’ mas nós da comunidade de Chicaia fomos os primeiros a chegar. Os nossos antepassados vieram da África do Sul. Quando saíram da África do Sul passaram por Malawi, de lá partiram para Tanzania (Massassi) e depois desceram aqui para Cóbuè. A primeira pessoa a chegar em Cóbuè foi Delalani, o primeiro régulo que foi seguido por Mtaya (Chilambula), régulo Pendeca (também Mtaya), Chatenda, Malizeni, Makenzi, Matundama e por fim Isa…
Os conhecedores da história dos Nyanja
Na literatura historiográfica e antropológica sobre os Nyanja, as principais fontes orais são os mafumu, os sacerdotes anglicanos e alguns professores. Tal como no caso dos Nyanja, na etnografia e na historiografia sobre os contextos africanos tem sido recorrente ter como principais interlocutores das pesquisas as pessoas ligadas ao poder tradicional e aos anciãos, justificando-se essa condição apenas por uma questão geracional. Nesse particular,…
Divisão administrativa da província do Niassa
Mapa 1. Divisão administrativa da província do Niassa, destacando-se o Posto Administrativo de Cóbuè Fonte: Departamento de Arqueologia e Antropologia, Universidade Eduardo Mondlane, 2023
Pa Mtengo wa mai: Lugar, pertença e posse da terra
Parti com o Maganizo da sede de Cóbuè para Chigoma, num percurso de quatro horas de caminhada e fizemos uma boa parte do percurso pelas margens do lago, em terras arenosas e atravessando alguns riachos. Na sua maioria os riachos são os marcos topográficos que separam territórios e terras dos chefes tradicionais e das famílias que habitam as margens do lago Niassa. Nas mesmas margens, sobretudo nas áreas planas, passamos por vários acampamentos de…
Os habitantes da água, os Nyanja
As aldeias são localizadas por referência aos ndunas e régulos, os principais chefes tradicionais da região, e representam uma malha de concentração populacional constituindo autênticos registos topográficos ao longo das margens do lago Niassa. O somatório destas pequenas aldeias faz emergir as divisões administrativas formais do território do distrito do Lago: as povoações, as localidades e os postos administrativos. As designações destas aldeia…
Khamu: Casa como lugar de cultivo da mandioca
A constituição de um khamu, enquanto casa, é parte do princípio da autonomia de uma pessoa em relação aos co-residentes de um mesmo domicílio e que marca a fase adulta. Uma casa distingue-se pela associação dos seus donos a um lugar de preparação de refeições (cozinha) e, desta forma, agrega funções económicas, tais como produzir a própria mandioca e preparar a sua comida. Entretanto, fruto do processo histórico de constituição dos muji de facto …
Chiwelewele cho tchelatchela – renegociar a comunidade
A delimitação das terras comunitárias envolveu a recolha, produção e validação de uma narrativa sobre a história dos territórios para legitimar os limites e a existência da comunidade como detentora dos direitos sobre a terra. Este processo, de forma provavelmente não intencional, trouxe para o debate a posição do Régulo Mataka como o régulo mais importante de Cóbuè. Remetido a outros processos políticos em curso na mesma região, tal como a possi…
Antropologia, territorialização e historicidades
Na literatura antropológica fui buscar inspiração nos debates sobre a noção de história como vivência, que combina ao mesmo tempo dimensões de inovação e construção (cf. Calavia Sáez 2005, 2008; Gangenbach 2005; Gow 1991, 2001; Mazarire 2010; Ranger 2013; Viegas 2007; Whitehead 2003; Worby 1994), numa tentativa de superação das abordagens iniciais da antropologia histórica e da etno-história, que procuravam nas tradições orais a manifestação da c…
A delimitação das terras comunitárias em Cóbuè
“To do a project like this we needed a lot of land and not many people” (Patrick, fundador do Nkwich Lodge citado por Simkin 2008, 61) O fundador do Nkwitch Lodge, empreendimento turístico que despoletou a delimitação das terras comunitárias, é carinhosamente chamado pelas pessoas de Cóbuè por “branco da Inglaterra”. A chegada deste senhor na região de Cóbuè, em 1998, representa mais um registo da historicidade local que, para além da construção …
O encontro com Maganizo
O meu trabalho de campo esteve muito intensamente ligado à minha relação com Maganizo, uma relação que implicou parceria e negociação, tal como vem sendo reconhecido por alguns autores (cf. Viegas e Mapril 2012; Marcus 2010; Cabral e Lourenço 1993). O decurso da pesquisa de campo fez-me reflectir constantemente sobre as condições de produção do texto etnográfico. Concordando com os autores que afirmam que as interpretações desenvolvidas pelo antr…
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