Sistema antigo, proposta de futuro
Sobreposições territoriais e extrativismo de castanha na bacia do Xingu (Pará, Brasil)
Dados Bibliográficos
| ID | 3754083 |
|---|---|
| Autores | Raquel Rodrigues Dos Santos (0000-0003-1299-8755, autor correspondente), Natalia Ribas Guerrero (0000-0003-3349-4273), Maurício Torres (0000-0003-3579-6486) |
| Ano | 2024 |
| Volume | 16 |
| Fascículo | 2 |
| Páginas | 84 |
| Data de publicação | 2024-12-20 |
| Peer Reviewed | Sim |
| Open Access | Sim |
| Tipo | ARTICLE |
| Periódico | Amazônica - Revista de Antropologia (JOURNAL) |
| Identificadores do periódico | ISSN: 1984-6215 • E-ISSN: 2176-0675 |
| Editora | Universidade Federal do Para (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.18542/amazonica.v16i2.15837 |
| OpenAlex | W4410820300 |
| Idioma | PT |
Este trabalho se debruça sobre a relação de comunidades tradicionais com suas áreas de castanhais no médio curso do rio Xingu e seu afluente Iriri, no Pará, e as transformações que essa relação sofreu ao longo do último século. Com origem nos seringais, na virada do século 19 para o 20, essas comunidades, que se identificam como beiradeiras, constituíram-se como um campesinato florestal, alicerçado no consórcio de agricultura e extrativismo, e caracterizado por uma densa e extensa rede de relações, bem como pela mobilidade e multilocalidade. Tal territorialidade marca as práticas dessas famílias em relação às áreas de castanhais e ao extrativismo de castanha na região do Xingu e do Iriri, práticas que refletem mudanças nas dinâmicas regionais ao longo do século 20, desde o estabelecimento dos seringais, passando pelos planos da ditadura militar e por um período intensivo de grilagem, até o período atual, com a criação de um conjunto de unidades de conservação ambiental. Embora tenham provisoriamente barrado a grilagem, duas dessas unidades de conservação, de caráter restritivo à ocupação humana, se sobrepuseram a parte dos territórios tradicionais beiradeiros, ensejando conflitos com o Estado, inclusive envolvendo o manejo dos castanhais. Neste artigo, buscamos relacionar a territorialidade beiradeira com a forma com que essas famílias historicamente se relacionam com seus castanhais, para então compreender de que modo a criação das unidades de conservação impactou essas práticas, bem como as resistências engendradas pelas comunidades a esses impactos. Para essa análise, começaremos pelo histórico de ocupação da região e a constituição dessa territorialidade, de modo a melhor contextualizar as práticas envolvidas especificamente no extrativismo da castanha, à luz da abordagem do manejo de recursos comuns, desde uma perspectiva neo-institucional. A seguir, com apoio na mesma abordagem, mostraremos como a criação das unidades de conservação de proteção integral ocorreu a partir da invisibilização desse histórico de ocupação, e impactou as práticas do extrativismo, dando origem a conflitos. Trabalharemos com materiais reunidos ao longo de mais de uma década de pesquisa na região sob uma perspectiva interdisciplinar. Além desse campo propriamente teórico, tal análise pode contribuir para o aprimoramento de políticas envolvendo territórios tradicionalmente ocupados
Art · Geography · Humanities · Amazonian Archaeology and Ethnohistory · Geography and Environmental Studies · Urban Development and Societal Issues
| Velocidade de citação | historical |
|---|---|
| Altamente citado | Não |