A visão do Outro nas Cartas de Itália de Lopo de Almeida
Bibliographic Data
| ID | 12864688 |
|---|---|
| Authors | Paulo Catarino Lopes (0000-0002-8543-1111, University of Coimbra, corresponding author) |
| Year | 2001 |
| Volume | 1 |
| Pages | 117-140 |
| Publication date | 2001-11-30 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Revista de História da Sociedade e da Cultura (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1645-2259 • E-ISSN: 2183-8615 |
| Publisher | Coimbra University Press (PUBLISHER • PT) |
| DOI | 10.14195/1645-2259_11_5 |
| OpenAlex | W2521900595 |
| Language | PT |
Em Novembro de 1451 partia de Portugal com destino a Itália a comitiva de acompanhamento da infanta D. Leonor, segunda filha de D. Duarte e irmã de D. Afonso V, para confirmação do seu casamento com o imperador Habsburgo Frederico III. Notável iniciativa diplomática e ocasião única de afirmação e de internacionalização da monarquia portuguesa, este matrimónio resulta de um ambicioso projecto de D. Afonso V que visa legitimar aos olhos das grandes potências internacionais uma dinastia que nascera pouco conforme com o direito sucessório. Dirigiam a comitiva de acompanhamento João Fernandes da Silveira e Lopo de Almeida (primeiro conde de Abrantes), tendo este último enviado a D. Afonso V quatro cartas em que dá notícia dos acontecimentos que marcaram a viagem, bem como da forma como a comitiva foi recebida. O facto de o embaixador concentrar toda a sua atenção na acção, bem como na descrição das cerimónias e do comportamento dos intervenientes, faz de tais registos epistolares uma fonte de inegável valor histórico-antropológico. A visão e avaliação do Outro europeu é constante nas Cartas e opera-se sempre através de uma análise comparativa com os portugueses. Por outras palavras, os referentes culturais de Lopo de Almeida constituern-se como um código com base no qual o mesmo realiza a sua avaliação antropológica. Sempre perspicaz, e não raras vezes irónico e satírico, Lopo de Almeida fornece retratos ora colectivos, como o dos alemães, ora individuais, como o do imperador Frederico III. De reter é que em caso algum estamos perante retratos frios. Ao contrário, são sempre representações extremamente ricas do ponto de vista do sentimento, da emoção e do elemento humano, inequivocamente aquele que mais entusiasma o autor da narrativa. Em síntese, pelo seu conteúdo, mas também pelo contexto em que foram produzidas, as quatro cartas enviadas de Itália por Lopo de Almeida ao rei D. Afonso V constituem um testemunho privilegiado, por um lado, da forma como os portugueses olhavam o Outro europeu e, por outro lado, da forma como se olhavam a si próprios por reacção a esse mesmo Outro europeu, em meados do século XV
Art · Humanities · Political science · Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism
| Highly cited | No |
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