O Deus faltado
Sartre e a dicotomia da singularidade histórica
Bibliographic Data
| ID | 12868077 |
|---|---|
| Authors | Leandro D Da Silva (0000-0003-0584-7377, Universidade Federal de Juiz de Fora, corresponding author) |
| Year | 2023 |
| Volume | 22 |
| Issue | 2 |
| Pages | 826-849 |
| Publication date | 2023-12-13 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1677-2954 • E-ISSN: 1677-2954 |
| Publisher | Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.5007/1677-2954.2023.e94989 |
| OpenAlex | W4392608500 |
| Language | EN |
O eixo central da filosofia de Sartre é a liberdade, começo, fim e finalidade de ser-no-mundo; assim, parte-se da subjetividade (consciência intencional livre) que é, e somente poderia ser em situação que, por sua vez, limita seu ser. Essa condição dicotômica (liberdade-situada) funda-se metodologicamente na fenomenologia: trata-se de analisar condutas humanas no mundo e, dessas, revelar modos de ser fenomênicos, Em-Si, Para-Si e Para-Outro. O âmbito ôntico não está em nenhuma medida separado das estruturas de ser que o sustentam (ontológico), donde se possa dizer que ser-para-si é ser liberdade absoluta; todavia, ser-homem-no-mundo contraria essa tese, pois a mera inspeção de nossa condição comprova facilmente que estamos a ferros. Isso bem explica o mal-estar generalizado que a tese existencialista provoca: parece absurdo falar em liberdade ante a determinações mundano-concretas tão evidentes (corpo, natureza, classe etc.); e soa ainda mais absurda a tese de que a responsabilidade é também absoluta. Isso parece culpar o oprimido pela opressão, dando margem a alguma sorte de tese meritocrática – nada mais falso! Assim, a primeira tarefa desse artigo será desfazer a errônea impressão de que a tese da liberdade redunda numa filosofia de sobrevoo; ao contrário de abstração, é a condição humana no mundo que impõe esse paradoxo existencial: como pode que homens e mulheres façam a história e não se reconheçam nela? Isso leva ao intrincado modelo ontológico de Sartre, que exige a constante e fantasmagórica presença do hipostasiado Ser-Em-Si-Para-Si. Decorre disso que o fundamento último da liberdade é Abgrund (sem fundamento), pois sou no presente a partir de um projeto de ser que é meu, e sempre está em vias de reformulação (ser-fluído); mas é nesse, e somente por esse processo que se pode falar em devir histórico: ser-homem é ser-liberdade-para-se-libertar; a história, por sua vez, seguirá escrita por um Deus-faltado
Epistemology · Geometry · Psychoanalysis · Singularity · Mathematics · Philosophy · Psychology · Simone de Beauvoir and Sartre
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