Outras testemunhas
O tradutor toma a palavra
Bibliographic Data
| ID | 16956644 |
|---|---|
| Authors | Zelina Márcia Pereira Beato, Zelina Beato (Universidade Estadual de Santa Cruz), Amanda Bezerra De Araújo (0000-0003-0645-9560, Universidade Estadual de Santa Cruz), Aryadne Bezerra De Araújo |
| Year | 2020 |
| Volume | 25 |
| Pages | 489-508 |
| Publication date | 2020-07-31 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Gragoatá (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1413-9073 • E-ISSN: 2358-4114 |
| Publisher | Pro Reitoria de Pesquisa, Pos Graduacao e Inovacao - UFF (PUBLISHER) |
| DOI | 10.22409/gragoata.v25iesp.34212 |
| OpenAlex | W3046745668 |
| Language | EN |
Traçando um paralelo entre tradução e testemunho, propomos discutir o processo tradutório d’Os sertões, de Euclides da Cunha, para o francês. No desenrolar da sua tarefa, os tradutores dessa obra, Antoine Seel e Jorge Coli, testemunham uma luta incessante com as línguas para reescrever um original que resiste à inscrição em uma forma diferente da qual foi concebido. Tradução e testemunho estão, portanto, cercados por um double bind, uma dupla injunção entre impossibilidade e necessidade de cumprir a promessa de traduzir o que resiste à tradução: o trauma ou o original. Atestamos essa dupla injunção na esteira do pensamento de Jacques Derrida em Torres de Babel (2002) e Demeure (2000), dois textos que problematizam a tradução e o testemunho como atividades necessárias e impossíveis. O original e seu autor demandam a tradução uma vez que não podem falar em outra língua sem o trabalho do tradutor. Embora reclamada, a tradução não transfere ou repete a totalidade de qualquer sentido, tampouco reproduz uma suposta voz autoral na língua de chegada. Para sustentar o argumento, discutimos como Os sertões tomam a forma de um trauma para seus tradutores. Além da escrita tradutória, investigamos os depoimentos de Seel e Coli sobre suas angústias ao testemunhar a narrativa traumática de Euclides. Tomamos a tradução desse testemunho como exemplo para argumentar que a tradução, no geral, é um processo no qual se testemunha um trauma na língua, uma luta com a própria língua para traduzir o que resiste à tradução
Humanities · Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism · Memory, Trauma, and Testimony · Philosophy
| Highly cited | No |
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