Psicologia ambiental
Entendendo as relações do homem com seu ambiente
Bibliographic Data
| ID | 19356143 |
|---|---|
| Authors | Luciana Silva Martins de Souza (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, corresponding author) |
| Year | 2006 |
| Volume | 23 |
| Issue | 2 |
| Pages | 203-205 |
| Publication date | 2006-06-01 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Estudos de Psicologia (Campinas) (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0103-166X • E-ISSN: 1982-0275 |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/s0103-166x2006000200010 |
| OpenAlex | W1974558634 |
| SciELO | S0103-166X2006000200010 |
| Language | EN |
| Citations received | 1 |
A Psicologia Ambiental é uma sub-área da Psicologia que se interessa pelo homem em seu contexto físico e social, e tem como objetivo o estudo das inter-relações daí provenientes, considerando aspectos individuais e coletivos de tais interações. Os organizadores conseguiram reunir neste livro uma diversidade de trabalhos da Psicologia Ambiental que é muito interessante, pois dá ao leitor uma idéia da abrangência dos temas envolvidos nesta área recente e ainda tão pouco conhecida. Hartmut Günther é Doutor em Psicologia Social e professor titular no departamento de Psicologia Social e do Trabalho da UnB. Realiza pesquisas sobre ambientes de trânsito e qualidade de vida urbana, no Laboratório de Psicologia Ambiental da UnB. José Q. Pinheiro é Doutor em Psicologia Ambiental, professor do curso de Psicologia e do programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRN, e coordenador do Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente e da Rede de Psicologia Ambiental Latino-Americana (REPALA). Raquel Souza Lobo Guzzo é Doutora em Psicologia Escolar, docente do curso de Psicologia e do programa de Pós-graduação em Psicologia da PUC-Campinas, e coordenadora do Grupo de Pesquisa Risco à Proteção Intervenção Preventiva em Comunidades. \nO livro consta de uma apresentação e 9 capítulos distribuídos em 2 partes. A primeira parte, tem o objetivo de esclarecer o que se entende por Ambiente, e suas relações com a percepção e a constituição humana. A segunda parte engloba reflexões a respeito dos aspectos envolvidos no processo de interação humano-ambiental. Cada capítulo trata de um trabalho específico realizado na área pelo respectivo autor. Este é um livro escrito por psicólogos pós-graduados - mestres e doutores em diferentes áreas da Psicologia, que atuam como pesquisadores e integram, na sua maioria, o corpo docente de diferentes universidades do Brasil (UnB, UFRN, PUC-Campinas, USP, Universidade de Fortaleza), do México e do Chile. Este diálogo entre as diferentes universidades confere à obra uma dimensão de intercâmbio e enriquece novo ramo de conhecimento da Psicologia. Nas últimas páginas podem ser encontrados os dados das trajetórias profissionais de cada um dos autores, e seus respectivos endereços para correspondência.\nNa apresentação, intitulada Psicologia ambiental: área emergente ou referencial para um futuro sustentável? os organizadores definem conceitualmente a Psicologia Ambiental e a situam historicamente, realizando uma breve e concisa análise de sua consolidação no tempo. Na continuação do texto, eles apresentam a estrutura da obra e deixam claro o objetivo central deste livro: difundir entre os profissionais da América Latina dentro e fora das escolas de psicologia e áreas correlatas o conceito de homem e mundo adotado pela Psicologia Ambiental. Esta apresentação do livro se faz muito importante por possuir um caráter informativo, que introduz o leitor não apenas na obra mas em toda a área para qual ela pretende contribuir.\nIniciando a primeira parte do livro, o capítulo de Marcos Ribeiro Ferreira condensa os motivos que impulsionam a participação da psicologia no contexto ambiental global. O autor enfoca a situação de degradação ambiental, advinda do padrão vigente de exploração da natureza, ao lado do descomprometimento com a preservação ambiental destas últimas décadas. Revela que para estudiosos e pesquisadores ambientais uma nova racionalidade ambiental precisaria ser constituída. A partir daí, o autor entra na questão do que denomina validação ecológica , que consiste na preocupação de que os objetos de pesquisa definidos sejam algo que tenha realmente relevância na vida cotidiana das pessoas. \nNo segundo capítulo, os autores Fernando Olguín e Carlota Reyes-Lira propõem a utilização de técnicas da Gestalt-Terapia e de métodos da pesquisa qualitativa para o estudo da interação entre o indivíduo e seu meio. Para isso utilizam-se de idéias desenvolvidas por González Rey, Zemelman, Jiménez Domínguez e outros. Para os autores, a Gestalt pressupõe que o pesquisador de questões ambientais é parte integrante do ambiente estudado; e como a análise qualitativa deve abordar a subjetividade, é feita uma proposta gestáltica de inserção do pesquisador no meio. O interessante do exercício proposto pelos autores reside na possibilidade do pesquisador reconhecer sua própria posição na pesquisa, e a carga ideológica que isto envolve. \nNa segunda parte do livro, o terceiro capítulo aborda análises das transformações no modo de vida advindas com a urbanização do bairro Barra Funda de São Paulo. Elaine Rabinovich, autora do capítulo, apresenta desta forma as etapas que transcorreu num estudo de caso, baseado na pergunta: quais as conseqüências no desenvolvimento humano da substituição de um espaço livre de locomoção/deslocamento para um espaço segmentado e permanentemente controlado pelo adulto?\nO capítulo seguinte, se baseia nas discussões que têm havido sobre a reformulação do Plano de Prevenção e Descontaminação Atmosférica da Região Metropolitana, formulado pela Comissão Nacional do Meio Ambiente do Chile. Esta se configura como uma importante discussão nacional, pois se desenvolve de forma participativa, envolvendo diferentes setores da sociedade. No artigo, Pablo Jara e Emilio Moyano Díaz destacam de que forma se dá a participação do psicólogo no âmbito da Educação Ambiental.\nNo capítulo cinco, os autores Patricia Andeane, Eric Rosas e Cesáro Rodríguez, apresentam um estudo analítico das propriedades espaciais do cenário, que estão associadas aos padrões de uso dos espaços pelas pessoas. Para isso, utilizaram o modelo da Sintaxis Espacial, que é detalhadamente explicado no decorrer do capítulo e que pode contribuir com ferramentas objetivas e precisas para análise de cenários e avaliação da conduta espacial humana. \nNo sexto capítulo, Sylvia Cavalcante apresenta um estudo fenomenológico da natureza da porta, revelando as representações psicológicas e implicações psicossociais que suas funções físicas podem assumir nas interações humanas. Embora o tema possa gerar certa estranheza para o leitor laico, é muito interessante acompanhar as análises tecidas pela autora ao longo do relato, que envolvem expressões de necessidades, desejos e poder.\nO sétimo capítulo remete-se à participação do jovem nos estudos de Psicologia Ambiental, ao olhar que mais freqüentemente se coloca sobre ele e sobre o ambiente com o qual interage. Para isso, Isolda Günther e Ludmila Cunha estabeleceram questões que orientaram a análise de cinco textos de Psicologia Ambiental (de diferentes autores) e de uma amostragem de periódico Children s Environments, publicado pela Universidade de Nova Iorque. \nNo oitavo capítulo, José Q. Pinheiro analisa as experiências que se tem da apropriação de espaços, considerando que esta se constitui a partir da percepção dos mesmos e da cognição formada através disso. O objetivo do autor é abordar as experiências de ambientes que são vividas a partir de apresentações que outros trazem, ou seja, quando não há contato direto com o fenômeno ou situação. Estes ambientes, aos quais não se tem acesso diretamente, são denominados de ambientes de segunda mão e é justamente neles que as pessoas se relacionam em grande parte da vida.\nO nono e último capítulo, demonstra a integração entre a Psicologia Ambiental e a Psicologia do Desenvolvimento, a partir de estudos desenvolvidos sobre a relação entre a organização do espaço e sua utilização por grupos de crianças em creches. Essas pesquisas adotaram o referencial da abordagem ecológica para o desenvolvimento humano, representada principalmente por Urie Bronfenbrener. Mara Campos-de-Carvalho parte do pressuposto de que tanto os aspectos físicos ambientais, quanto os sociais, influenciam de maneira significativa o desenvolvimento humano, pois este decorre das experiências de interações humano-ambientais. A autora apresenta o método utilizado pelas pesquisas de experimento ecológico, que envolvem a seleção de um aspecto físico que se pretende investigar e a manipulação sistemática da variável que está em estudo, mantendo o mais estável possível a posição dos demais elementos do espaço.\nPode-se ver pelo livro que se trata de uma área dinâmica, que tem atraído estudiosos e pesquisadores de Psicologia de diferentes instituições, áreas de atuação, abordagens e trajetórias. Por outro lado, esta diversidade temática e metodológica é apontada pelos autores como um dos fatores que dificultam o desenvolvimento deste ramo de conhecimento, pois são poucas as produções que se identificam como Psicologia Ambiental . Esta variedade e amplitude características podem confundir o leitor que nunca teve contato com a área. As delimitações deste campo de conhecimento ainda não se fazem com muita clareza, mais por motivos de consolidação do próprio campo do que pela forma como a obra o trata. Como afirmam os organizadores deste livro, na América Latina a caminhada está apenas começando
Political science · Environmental Sustainability and Education
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| Citation span | 2020 - 2020 (1) |
| Highly cited | No |