A História Medieval Enquanto Ciência Da Diferença a Singularidade Como Produção E Meio De Dinâmica Social Medieval
Medieval history as science of difference. Singularity as production and means of Medieval social dynamics
Datos Bibliográficos
| ID | 21736612 |
|---|---|
| Autores | Joseph Morsel (0009-0002-5573-8398, Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, autor de correspondencia) |
| Año | 2023 |
| Volumen | 22 |
| Número | 2 |
| Fecha de publicación | 2023-12-31 |
| Peer Reviewed | Sí |
| Open Access | Sí |
| Tipo | ARTICLE |
| Revista | BRATHAIR - REVISTA DE ESTUDOS CELTAS E GERMÂNICOS (JOURNAL) |
| Identificadores de la revista | ISSN: 1519-9053 • E-ISSN: 1519-9053 |
| Editorial | Universidade Estadual do Maranhao (PUBLISHER) |
| DOI | 10.18817/brathair.v22i2.3547 |
| OpenAlex | W4403976757 |
| Idioma | PT |
| Citas recibidas | 1 |
Não se trata aqui da questão dos Celtas e dos Germanos em si mas daquela da produção histórica de sua diferença do ponto de vista dos historiadores. Esta diferença certamente não pode ser considerada como pertencendo a uma essência, de carácter mais ou menos racial, mas como o resultado inevitável de processos sociais tanto antes do contacto destes dois povos como posteriormente determinados por este mesmo contacto – e também da maneira com qual os historiadores validaram esta apresentação do social. Mas esta produção de diferença não é obviamente observada apenas a nível de povos inteiros como os Celtas ou os Germanos: é um processo multiescalar característico da produção do próprio social, desde a escala do indivíduo até, no nosso tempo, à escala da humanidade – então um processo geral de socio gênese. É isso que me conduz a reexaminar o sentido do que o medievalista francês Marc Bloch afirmou em 1937 e depois, isto é, que a história se define acima de tudo como uma ciência da diferença. Mas durante muito tempo esta questão da diferença não foi levada a sério do ponto de vista histórico (e particularmente medievalista): foi meramente observada, com o efeito de dar a impressão de uma sociedade medieval que era simplesmente heterogênea, diversa, variável, incoerente, sujeita a forças exógenas (acidentes climáticos, invasões, fluxos de ouro, epidemias, contribuições técnicas, influências culturais, etc.) ou a intencionalidades coletivas (reis, papas, cavaleiros, povos, etc.). Há já algum tempo, porém, que emerge a ideia de uma sociedade cuja dinâmica interna deriva precisamente da articulação em várias escalas (da aldeia à cristandade) de contrastes tão materiais quanto ideais – contrastes que não se trata de forma alguma de eliminar, inclusive ao nível do discurso global (ao contrário do universalismo defendido pelo nosso próprio sistema, contra o qual as afirmações de diferenças que se multiplicam são unicamente formas de reação), porque estas não eram, de forma alguma, um problema, mas precisamente o fundamento da lógica social. Pretendo, portanto, que este tipo de problemática geral (a produção multiescalar do social através da articulação das diferenças) é realmente uma das mais cruciais questões ao historiador – e isto, independentemente do objeto sobre o qual se examina. Darei assim continuidade a uma série de reflexões que tenho vindo a realizar, com alguns outros colegas, durante vários anos, sobre a questão do estatuto, do objeto e do futuro da disciplina histórica, numa tentativa de redefinir a sua função relativa em relação às outras ciências sociais, e com vista a uma ciência reunificada do social. É precisamente aqui que a questão da diferença fornece uma chave interessante, porque para mim (e alguns outros), a mudança não é a condição do trabalho do historiador, é o seu próprio objeto. Assim, a história não consiste apenas em identificar, por comparação, as diferenças como sinais de uma mudança que constituiria o quadro de explicação histórica (respondendo à pergunta de por que e como tal e tal prática mudou?), mas em fazer da mudança o seu próprio objeto, tanto no espaço como no tempo, enquanto uma forma empírica de dinâmica social (respondendo assim à pergunta de como é que a sociedade – neste caso, a sociedade medieval – produziu diferenças, no espaço e no tempo?). É por isso que posso facilmente considerar que a história é a ciência da mudança (obviamente a mudança social). Dizer que a história é a ciência da mudança (social) significa que o objeto do historiador é a historicidade dos sistemas sociais, ou seja, inelutavelmente a historicidade dos sistemas sociais de dominação. Por "historicidade" quero dizer tanto que é um processo de formação e transformação histórica das relações de domínio, que também todas elas tiveram ou terão um fim. O exame do fenômeno de produção de singularidade local na Idade Média permite considerar que os povos identificados como grupos étnicos específicos (ainda no período carolíngio) finalmente desapareceram a favor de populações enraizadas e identificadas com um espaço (lugar, região, reino) – o conceito de "população" devendo ser entendido aqui no sentido de Michel Foucault
Ancient history · Art · Middle Ages · History · Social and Economic Solidarity
| Obras citantes distintas | 1 |
|---|---|
| Citas por año | 1 |
| Intervalo de citas | 2025 - 2025 (1) |
| Velocidad de citación | recent |
| Altamente citado | No |
| Tipos de cita | Neutras: 1 |