A prevalência do fato físico sobre o fato psíquico como frenesi
Bibliographic Data
| ID | 21859623 |
|---|---|
| Authors | Rodrigo Barros Gewehr (0000-0002-3274-7032, corresponding author) |
| Year | 2025 |
| Volume | 17 |
| Issue | especial |
| Pages | 27-42 |
| Publication date | 2025-06-24 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Argumentos - Revista de Filosofia (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1984-4247 • E-ISSN: 1984-4255 |
| Publisher | Universidade Federal do Ceará (UFC) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.36517/arf.v17iespecial.95584 |
| OpenAlex | W4412982414 |
| Language | PT |
| References cited | 8 |
A possibilidade de subordinar o eu a uma função do cérebro, e por essa via reduzir a emergência da consciência aos limites dos processos desse substrato material, não são questões que surgiram na contemporaneidade. Na verdade, o problema se atualiza desde a Grécia antiga, e em nossos tempos exterioriza sua renovação na promessa de que as neurociências demonstrarão, enfim, a causalidade e a identidade entre a consciência e a atividade neuronal. A força dessas promessas está na popularidade da concepção epistêmica que as impulsiona: todo fato psíquico deriva, necessariamente, de um fato físico. Já nos cursos de psicologia e metafísica no liceu de Clermont-Ferrand, Bergson coloca sob suspeita os fundamentos dessa relação unidirecional, que acabaria conduzindo a um paralelismo psicofísico ou ao epifenomenismo. A despeito das inúmeras tentativas de comprovação, essa concepção permanece indemonstrada, mas a convicção que lhe é subjacente não deixa de exercer seu efeito pathico sobre nós: mais que uma posição epistemológica, a crença na espacialização da psique se tornou uma posição ontológica, que fascina ao ponto de conseguir dissimular sua artificialidade. Dessa perspectiva, podemos pensar as expressões do materialismo que assegura e encoraja essa transformação como uma espécie de frenesi, através das quais uma tendência totalizante da nossa relação com o mundo se evidencia. Na esteira desse discurso aparentemente científico, o que sobressai é uma metafísica inconsciente de si mesma. Essa denúncia permanente nas obras de Bergson nos servirá como ponto de partida neste artigo, ao passo que as leis de dicotomia e do duplo frenesi serão nossas balizas no questionamento dessa redução do psíquico à matéria
Linguistics and Language Studies · Medicine · Philosophy · Psychoanalysis and Psychopathology Research · Psychology and Mental Health
| Highly cited | No |
|---|