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O insólito como aliado na prática etnográfica

Bibliographic Data

ID22103244
AuthorsG R Lopes (0000-0003-0289-6376, Universidade Federal de Sergipe, corresponding author)
Year2025
Volume13
Issue26
Pages251-271
Publication date2025-11-26
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueAmbivalências (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 2318-3888 • E-ISSN: 2318-3888
PublisherRevista Ambivalencias (PUBLISHER)
DOI10.21665/2318-3888.v13n26p251
OpenAlexW4416759403
LanguagePT

O texto narra minha trajetória etnográfica junto a comunidades tradicionais da caatinga baiana, destacando experiências com dois curadores. Em 2015, durante uma imersão em campo, vivi um acontecimento marcante: a palavra enigmática disno, proferida por Gisélia e atribuída a espíritos aliados. Esse evento Instaurou uma abertura sensível e epistêmica ao “fora”, desestabilizando a razão científica e mobilizando outro modo de conhecer – experiencial, relacional e não representacional. A partir dessa vivência e de rituais como o passe, elaborei notas para uma teoria etnográfica da alteridade entre os rastejadores da caatinga, atentas às práticas xamânicas e aos modos nativos de existir. Em diálogo com autores aliados, reflito sobre o termo lapigado, proposto por Capuxo e seu espírito aliado, para descrever quem é sutil, afetuável e capaz de transitar entre mundos. Assim como disno, lapigado Indica uma antropologia contaminada pela alteridade radical, por forças extra-humanas que exigem novas formas de pensar, sentir e descrever. Argumento que a antropologia deve superar tanto o silêncio quanto a sobreinterpretação da arrogância epistemológica moderna, acolhendo o Incômodo de conceitos e experiências nativas que não cabem em categorias prévias. Esse Insólito, quando levado a sério, produz efeitos ontológicos, revelando como a cosmopráxis caatingueira pode reconfigurar o próprio fazer antropológico e “ralentizar” a premissa sociológica de que já se sabe o que pensam os nativos. Por fim, afirmo que minha nomeação como lapigado não é metáfora, mas é a análise caatingueira sobre uma forma de existência e pensamento compartilhada, que só se processa na experiência viva e na afetação mútua. Submissão: 28 jul. 2025 ⊶ Aceite: 20 out. 2025

Indigenous Health and Education · Indigenous Studies in Latin America · Urban and sociocultural dynamics

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