A Metamorfose Do Ator Na Criação Drag
Bibliographic Data
| ID | 22208441 |
|---|---|
| Authors | Matheus Neves de Oliveira (0009-0005-4652-7021, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, corresponding author) |
| Year | 2025 |
| Volume | 8 |
| Issue | 1 |
| Pages | 15-22 |
| Publication date | 2025-12-06 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Manzuá Revista de Pesquisa em Artes Cênicas (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 2595-4024 • E-ISSN: 2595-4024 |
| Publisher | Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (PUBLISHER) |
| DOI | 10.21680/2595-4024.2025v8n1id42262 |
| OpenAlex | W4417232148 |
| Language | PT |
A arte drag é uma prática que ultrapassa a simples performance teatral, servindo como um espaço para discutir o gênero como uma construção social e não-natural, um conceito já abordado por Judith Butler. Um experimento poético desenvolvido no Laboratório de Teatro Experimental e Pesquisa (LaTEP/UFRN) buscou criar uma cena por meio de um processo de metamorfose. Inspiradas na estética drag, três figuras foram esboçadas. A terceira figura foi escolhida por romper com a lógica convencional. Essa persona foi materializada em um casulo sintético, um traje feito de tiras de sacos de lixo pretos, papelão e fita adesiva, criando uma segunda pele que visava silenciar qualquer familiaridade. A maquiagem densa cobriu o rosto de tinta branca, apagando contornos e traços familiares, e desenhou novos contornos labiais disformes. O objetivo dessa criação era romper deliberadamente com os padrões de hiper feminilidade que existem no próprio meio drag, explorando o estranhamento do espectador e subvertendo uma arte já subversiva, além de trazer materialmente a plasticidade do gênero. A cena, com cerca de 40 minutos, consistia em um ritual de metamorfose. O primeiro ato era a maquiagem, transformando o rosto em uma tela em branco. No segundo momento, uma "dança com o desconforto," envolvia a fixação de peças rígidas e inelásticas de plástico, que, ao se atritarem, compunham a trilha sonora. O traje, propositalmente justo, aprisionava o corpo, limitando os movimentos a cada nova camada fixada. Ao final dessa transformação lenta, uma criatura drag onírica se erguia, envolta em rigidez e desequilíbrio, inerte diante do público, como um fantasma ou um monumento de plástico. Em termos ético-políticos, é crucial reconhecer que a performance drag pode trazer debates sobre gênero, mas corre o risco paradoxal de reforçar normas heterossexuais se não tiver um caráter de denúncia. Surge a questão sobre apropriação versus celebração quando artistas drag que são homens cisgêneros interpretam o feminino sem considerar as oposições reais (machismo, transfobia) vivenciadas por mulheres cisgênero, mulheres trans e travestis. É fundamental que a performance evite estereotipar ou reduzir a complexidade da feminilidade. A arte drag, conforme essa abordagem, é um espaço complexo de experimentação e militância que visa provocar questionamentos e a contínua transformação do ser e das estruturas sociais
Consumer society · Drag · Nike · Social institution · Arts and Performance Studies · Gender, Sexuality, and Education · History, Culture, and Society
| Citation velocity | historical |
|---|---|
| Highly cited | No |