O Papel Do Cárcere Para O Surgimento Das Duas Maiores Facções Criminosas Do Brasil
Uma Análise Do Ambiente Prisional Na Formação Do Comando Vermelho E Do Primeiro Comando Da Capital
Bibliographic Data
| ID | 22209128 |
|---|---|
| Authors | Murilo Machado Rangel (0009-0007-7172-9121, Universidade Vila Velha), Lucas Starling Albuquerque Cerqueira (Universidade Vila Velha), Marco Aurélio Borges Costa (0000-0002-0698-1220, Universidade Federal do Rio de Janeiro) |
| Year | 2026 |
| Volume | 7 |
| Issue | 1 |
| Pages | 67-92 |
| Publication date | 2026-03-04 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Em Sociedade (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 2595-7716 • E-ISSN: 2595-7716 |
| Publisher | Pontificia Universidade Catolica de Minas Gerais (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.5752/p.2595-7716.2025v7n1p67-92 |
| OpenAlex | W7133493513 |
| Language | PT |
O presente artigo analisa o papel do sistema prisional brasileiro na gênese das duas maiores facções criminosas do país, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Neste artigo, o termo facção criminosa refere-se a formas organizadas e relativamente estáveis de associação entre indivíduos envolvidos em práticas ilícitas, caracterizadas por vínculos de pertencimento, códigos normativos internos, hierarquias e capacidade de atuação coletiva, especialmente no interior e a partir do sistema prisional. Parte-se da hipótese de que determinadas condições estruturais e sociológicas do cárcere, tais como a superlotação, a violência institucional (entende-se por violência institucional o conjunto de práticas, omissões e formas de atuação estatal que produzem danos físicos, simbólicos ou materiais às pessoas privadas de liberdade, incluindo abusos, arbitrariedades e condições degradantes de encarceramento), a precariedade das condições materiais e a fragilidade da governança estatal, configuraram um ambiente favorável à organização coletiva de presos e à formação de estruturas criminosas mais complexas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-bibliográfica, com base em revisão da literatura criminológica e sociológica sobre o sistema prisional e o crime organizado no Brasil, com especial atenção ao período de gênese dessas facções, entre as décadas de 1980 e 1990, bem como a seus desdobramentos posteriores. Argumenta-se que o cárcere não deve ser compreendido como causa suficiente para o surgimento das facções, mas como um espaço social que potencializou dinâmicas de solidariedade, regulação informal e socialização criminal, em um contexto marcado pela ausência de mecanismos institucionais eficazes de controle e ressocialização. Conclui-se que a análise do ambiente prisional é fundamental para a compreensão da emergência e consolidação do CV e do PCC, contribuindo para o debate acadêmico e para a reflexão sobre políticas públicas voltadas ao sistema penitenciário brasileiro
Capitalism · Ideology · Politics · Contemporary Social and Educational Issues · Crime, Illicit Activities, and Governance · Youth, Drugs, and Violence
| Highly cited | No |
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