A mística do Pirarucu
Pesca, ethos e paisagem em comunidades rurais do baixo Amazonas
Bibliographic Data
| ID | 2492637 |
|---|---|
| Authors | Rui Sérgio Sereni Murrieta (0000-0002-9325-3060, Universidade de São Paulo, corresponding author) |
| Year | 2001 |
| Volume | 7 |
| Issue | 16 |
| Pages | 113-130 |
| Publication date | 2001-12-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Horizontes Antropológicos (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0104-7183 • E-ISSN: 1806-9983 |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/s0104-71832001000200006 |
| OpenAlex | W2102499328 |
| SCIELO_PID | S0104-71832001000200006 |
| Language | PT |
| Citations received | 8 |
| References cited | 13 |
Este artigo é uma análise das práticas e significados que permeiam a pesca do pirarucu nas comunidades rurais da Ilha de Ituqui, no Baixo Amazonas, Pará. O pirarucu é o maior peixe de escamas da Amazônia e também um valioso produto de mercado devido ao seu papel privilegiado na culinária local. A pesca do Pirarucu é uma das atividades mais antigas no Baixo Amazonas, remontando a tempos pré-coloniais. Para os pescadores que habitam a ilha de Ituqui, a captura do pirarucu pode representar não apenas o retorno econômico garantido de uma jornada de trabalho, como também revestir-se de uma série de significados e vivências ontologicamente estruturadas no dia-a-dia e na identidade dos pescadores. Conflitos sociais e disputas pessoais são intensificadas ou reduzidas, afeições são confirmadas e laços sociais refeitos através das práticas e encontros vivenciados durante uma viagem de pesca aos lagos próximos. Além da prática em si, tais viagens tornam-se referências mnemônicas e afetivas da paisagem, do evento de captura e do próprio sentido de lugar; resultando numa unidade processual conectada a muitas esferas pessoais e sociais de significado, as quais são de difícil compartimentalização. No meio de tantos aspectos motivadores, disputas e pescarias "irracionais" acontecem em Ituqui. Locais de pescaria são possessivamente guardados e "fronteiras territoriais" sutilmente estabelecidas entre comunidades e famílias. O direito ao recurso e, por extensão, aos significados e emoções que ele incorpora, torna-se um luxo ferozmente protegido por alguns. O decréscimo da população de pirarucus, as novas tecnologias de pesca, a alta demanda do mercado pelo peixe e a "mística" que ainda permeia a captura do animal colocaram muitos pescadores num dilema em que a sobrevivência desta atividade parece colidir com o que os desenvolvimentistas e ambientalistas chamam de "racionalidade" da conservação
Art · Geography · Humanities · Amazonian Archaeology and Ethnohistory · Fish biology, ecology, and behavior · Indigenous Health and Education
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| Unique citing works | 8 |
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| Citations per year | 0,44 |
| Citation span | 2008 - 2021 (14) |
| Citation velocity | historical |
| Highly cited | No |
| Citation types | Neutral: 8 |