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Memorialística e historiografia

A narrativa de um médico judeu-húngaro sobrevivente de Auschwitz

Bibliographic Data

ID2997789
AuthorsRonaldo Vainfas (0000-0003-0069-0374, Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Denise Rollemberg (0000-0001-7841-3794, Universidade Federal Fluminense)
Year2021
Volume49
Issue1
Pages325-354
Publication date2021-11-30
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueAnuario Colombiano de Historia Social y de la Cultura (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 0120-2456 • E-ISSN: 2256-5647
PublisherUniversidad Nacional de Colombia (PUBLISHER • CO)
DOI10.15446/achsc.v49n1.92642
OpenAlexW4200074282
LanguageIT
References cited3

Objetivo: o artigo discute a potencialidade da memorialística como produtora de textos historiográficos, embora a distinga do conceito de memória utilizado por historiadores. Como fonte específica do trabalho, escolhemos o livro do húngaro Miklós Nyiszli sobre a sua experiência como membro do corpo médico de Auschwitz em 1944. Metodologia: definimos memorialística a partir de uma abordagem de crítica literária, entendendo o texto como narrativa testemunhal escrita por quem participou diretamente dos eventos relatados. O método empregado foi, em primeiro lugar, a crítica interna de fontes proposta pelo historicismo e aprimorada por Marc Bloch em Apologia da História e, em segundo lugar, o método proposto por Lawrence Bardin em Análise de Conteúdo, que permite a segmentação do texto a partir de ideias-chave a critério do investigador. Originalidade: reside, em primeiro lugar, na discussão do status da memorialística no campo da historiografia e, em segundo lugar, na escolha de autor pouco trabalhado pelos estudiosos do Holocausto, como Primo Levi ou Elias Wiesel (embora tenhamos buscado a opinião de Levi sobre Nyiszli). Conclusões: submetemos o livro a uma crítica interna, considerando o papel desempenhado pelo memorialista no serviço médico de Birkenau em 1944. Demonstramos a ambigüidade do texto, espelho de um homem ambivalente, prisioneiro do Nazis e também assistente da ss. Concluímos, enfim, que apesar de prevalecer a descrição de procedimentos, bem como do tom por vezes moralizante, o livro comprova o valor da memorialística, não necessariamente como texto histórico explicativo, senão como manancial riquíssimo de informações sobre o Holocausto, em geral ausentes da documentação do III Reich, que a burocracia estatal destruiu antes da derrota final na guerra

Art · Humanities · Brazilian cultural history and politics · Memory, Trauma, and Commemoration · Memory, Trauma, and Testimony · Philosophy

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