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As técnicas corporais e o fazer antropológico

Questões De Gênero No Trabalho De Campo

Bibliographic Data

ID3073378
AuthorsThaís Cunegatto (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Cornelia Eckert (0000-0002-2815-7064, Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Ana Luiza Carvalho Da Rocha (0000-0002-2294-5932, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Year2005
Volume6
Issue14
Publication date2005-12-02
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueILUMINURAS (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1984-1191 • E-ISSN: 1984-1191
PublisherUniversidade Federal do Rio Grande do Sul (PUBLISHER • BR)
DOI10.22456/1984-1191.9222
OpenAlexW1538226833
LanguagePT

As mãos calejadas, os dedos lascados e os restos de tinta encobrindo as unhas configuram a estética manufatureira do ofício de sapateiro. As mãos são o instrumento de trabalho, os olhos fixos no objeto delineiam a atenção necessária, o sapato é a arte, o sapateiro: o artesão. Este ensaio busca analisar o material coletado em uma pesquisa que realizei em 2002 que tinha como objetivo desvelar um dos cenários de um bairro porto-alegrense, Cidade-Baixa, em Porto Alegre, através do estudo das práticas cotidianas de uma antiga profissão urbana configurando a feição deste território da cidade. Em particular, pretendo compreender as diferentes "técnicas corporais" empregadas por um sapateiro no exercício de seu oficio precisamente no momento em que dispõe o seu corpo como um dos instrumentos de seu trabalho. Trata-se aqui de interpretar as técnicas corporais deste "artesão" na confluência das técnicas corporais empregadas pelo etnógrafo em campo, em especial, no momento em que estes são os atores de um diálogo cultural. A cidade sendo um local em que convivem diversos grupos com experiências e vivência em parte comum, em parte diferente (OLIVEN, 1996) suscita a possibilidade do dialogo entre culturas diversas que gerenciam o convívio social. O estudo de sociedades complexas nos possibilita a compreensão desta teia de significados que constituem a cidade. As diferenças culturas propiciam o encontro cultural que regido por continuidades e descontinuidades trazem à tona a "tensão" do fazer etnográfico. Gilberto VELHO (1980:16) nos alerta que "a possibilidade de partilharmos patrimônios culturais com os membros da nossa sociedade não nos deve iludir a respeito de inúmeras descontinuidades e diferenças provindas de trajetórias, experiências e vivências específicas". Utilizo aqui os dados obtidos de diversas fontes de registro do meu trabalho na Cidade Baixa junto à sapataria Sport, situada na Rua da República, na sua quadra próxima a Rua João Alfredo, isto é, desde os extratos de meu diário de campo, na época, das descrições das minhas observações participantes às transcrições feitas a partir das entrevistas semi - estruturadas que realizei com meu informante no local de seu trabalho

Humanities · Philosophy · Urban and sociocultural dynamics

Citation velocityhistorical
Highly citedNo

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