Entre rezas, lágrimas, suor, menstruação e chulé
O Futebol Feminino Em Foco
Bibliographic Data
| ID | 3090342 |
|---|---|
| Authors | Mariane Da Silva Pisani (0000-0001-6925-4912, Universidade de São Paulo, corresponding author) |
| Year | 2016 |
| Volume | 24 |
| Issue | 24 |
| Pages | 338-347 |
| Publication date | 2016-06-17 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Cadernos de Campo (São Paulo 1991 (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0104-5679 • E-ISSN: 2316-9133 |
| Publisher | Universidade de São Paulo. Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais (PUBLISHER) |
| DOI | 10.11606/issn.2316-9133.v24i24p338-347 |
| OpenAlex | W2487310188 |
| Language | PT |
No ano de 2015, no mês de Julho, 24 países participarão da sétima Copa do Mundo de Futebol Feminino, sediada no Canadá. No Brasil, desde de Janeiro do mesmo ano, a Seleção Feminina se prepara para a competição buscando a conquista do título ainda inédito no país. Infelizmente, pouco se sabe e se fala sobre o futebol feminino brasileiro. As mulheres, a partir do ano de 1920, quando apareciam nas crônicas esportivas e colunas sociais eram retratadas como meras espectadoras que traziam beleza e charme para as arquibancadas. No ano de 1921, os jornais do país noticiaram – não sem algum assombro - a primeira partida de futebol disputada por mulheres. À época elas foram chamadas de audaciosas e intrépidas, e a partida, por sua vez, foi motivo de chacota e desconfiança do grande público brasileiro. No ano de 1941, sob o pretexto de preservar a saúde reprodutiva dessas mulheres, o Conselho Nacional de Desportos decreta que alguns esportes não seriam compatíveis com a natureza feminina. Acreditava-se que a prática do futebol colocaria em risco a integridade física das mulheres brasileiras: uma forte pancada no baixo ventre poderia torná-las inférteis, comprometendo a maternidade. Dessa forma, até 1979, as mulheres foram proibidas por lei de jogar bola no Brasil. No ano de 2001, a Federação Paulista de Futebol (FPF) estabeleceu que para uma atleta participar de campeonatos precisaria apresentar signos de feminilidade: cabelos compridos, corpo mais delicado e com curvas, uniformes mais curtos e justos. Na época algumas atletas alegaram que preferiam jogar com um uniforme intermediário - nem tão grande, mas também não tão justo -, contudo acabaram usando micro uniformes que expunham completamente seu corpos, afinal segundo elas: “era melhor jogar assim do que não jogar”. Ainda hoje, muitas são as reportagens e entrevistas realizadas com atletas da modalidade que evidenciam o charme e a beleza da jogadora brasileira em detrimento de sua competência profissional e qualidade técnica. As fotos que trago são produtos do trabalho de campo da tese de Doutorado que realizo no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. O objetivo é mostrar um pouco do cotidiano dessas mulheres: Quem são elas e de onde vêm? Quais são seus sonhos e perspectivas? Elas conseguem fazer do futebol seu meio de vida? Dessa forma, a narrativa fotográfica é construída a partir do convívio mais intenso com uma equipe da capital. As fotos foram realizadas ao longo de noves meses (de novembro de 2013 a agosto de 2014) e mostram como é o um dia de jogo na vida jogadoras de futebol
Physical Education and Pedagogy · Physical Education and Sports Studies · Psychology · Sports and Physical Education Studies
| Citation velocity | historical |
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| Highly cited | No |