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"Terras Adubadas COM Sangue" O coronelismo de Terras do sem fim

Bibliographic Data

ID3094872
AuthorsJoão Paulo Mansur (0000-0002-5849-992X, Universidade Federal de Minas Gerais, corresponding author)
Year2021
Volume36
Issue105
Publication date2021-01-01
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueRevista Brasileira de Ciências Sociais (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 0102-6909 • E-ISSN: 1806-9053
PublisherNational Association of Post-Graduate Research in Social Sciences (PUBLISHER • BR)
DOI10.1590/3610507/2020
OpenAlexW3082058483
SCIELO_PIDS0102-69092021000100506
LanguagePT
Citations received2
References cited4

Este artigo investiga a concepção de coronelismo presente na trama de Terras do sem fim, de Jorge Amado. Lançado em 1943, o romance marcou a literatura brasileira ao narrar a épica luta armada entre dois clãs de fazendeiros do cacau que, na Ilhéus do início do século XX, disputavam a posse das matas virgens do Sequeiro Grande. Parte da crítica especializada, ao tentar compreender como o romancista concebia a relação dos coronéis com o Estado, viu neles a expressão de um poderio privado exacerbado, contra o qual a lei não poderia se impor: sobrevivência do patriarcalismo e das lutas de famílias, cujas origens históricas remontam à Colônia. Olhando mais de perto, porém, não se trata disso, ou não apenas disso. Jorge Amado percebeu que o Estado, nesse período histórico do coronelismo, estava relativamente mais fortalecido, motivo pelo qual os clãs rivais passavam a lutar pelo poder político e pelo domínio das instituições, como a polícia e a justiça, que os favoreceriam nas disputas contra oligarquias adversárias. Conclui-se que Amado, em certo sentido, antecipou a construção do conceito de coronelismo, que só viria a ser delimitado abstratamente um pouco mais tarde, em 1948, com a publicação de Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal

Art · Humanities · Political science · Brazilian cultural history and politics · Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism

  • O direito contado em Terras do sem-fim, de Jorge Amado

    Open Access•Sara da Nova Quadros Côrtes, Márcia Rios da Silva•Revista Fórum Identidades•2024

  • Lei é para quem está de riba

    Open Access•João Paulo Mansur•Dilemas - Revista de Estudos de…•2024

  • Sobre o autoritarismo brasileiro

    Open Access•Deise Andreia Enzweiler, Lucas Caregnato•Revista Brasileira de História da…•2020

  • Mandonismo, Coronelismo, Clientelismo

    Open Access•José Murilo De Carvalho•Dados•1997

  • Coronelismo

    Open Access•Victor Nunes Leal•Coronelismo•1977

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Highly citedNo
Citation typesNeutral: 2

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