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As Famílias do Mangue e Suas Práticas Holísticas

Um Estudo no Nordeste Paraense, Amazônia, Brasil

Bibliographic Data

ID3754137
AuthorsFrancisco Pereira De Oliveira (0000-0003-1327-8362, Universidade Federal do Pará, corresponding author), Norma Cristina Vieira (0000-0003-2618-3346, Universidade Federal do Pará), Sebastião Rodrigues Júnior (Universidade Federal do Pará)
Year2018
Volume9
Issue1
Pages316
Publication date2018-02-10
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueAmazônica - Revista de Antropologia (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1984-6215 • E-ISSN: 2176-0675
PublisherUniversidade Federal do Para (PUBLISHER • BR)
DOI10.18542/amazonica.v9i1.5493
OpenAlexW2787719602
LanguagePT

O presente estudo traz discussão relacionada aos povos usuários dos manguezais do nordeste do estado do Pará (município de Bragança, Amazônia Brasileira) objetivando analisar as famílias e suas práticas holísticas empreendidas nas atividades de apropriação e uso dos recursos ambientais do mangue. Por conseguinte, descrever o perfil e as características dessas famílias no que concerne à organização social, às formas e práticas. Procura, ainda, identificar as práticas produtivas e sua relação de gênero e de geração, constituídas através dos saberes ecológicos locais por quem sobrevive do e no mangue. O estudo ocorreu no período de 2012 a 2015 em quatro comunidades, a saber: Bonifácio, Castelo, Caratateua e Tamatateua, consideradas produtoras de atividades laborais nos manguezais dessa região. Foram selecionadas 24 pessoas, entre homens e mulheres, para participarem de entrevistas direcionadas, por meio de um questionário com perguntas semiestruturadas e relacionadas com as práticas cotidianas empreendidas para a apropriação e uso dos recursos ambientais do mangue. Adicionalmente, foram feitas observações diretas em campo e registros das falas e dos discursos por meio de gravação. A análise dos dados correu por meio do Programa Statistical Package for the Social Sciences, complementado com a análise de conteúdo, que permitiu interpretar e compreender as falas e os discursos dos entrevistados. Os resultados revelaram que as famílias do mangue constituem sua renda a partir do extrativismo do peixe, do caranguejo-uçá, dos mariscos e da madeira de mangue, assim como por pequenas atividades ligadas à confecção e conserto de redes de pesca, à coleta de lenha do mangue para a fabricação de carvão, ao artesanato, dentre outros, com a participação direta de todos os membros da família. Os homens, na sua maioria, praticam atividades pesqueiras de produtos que agregam maiores valores no mercado, enquanto as mulheres extraem recursos como peixes costeiros, crustáceos e ervas medicinais, prioritariamente, para o sustento e manutenção, imediato, familiar. São também observadas práticas de reciprocidade entre as famílias e seus membros, com a divisão do esforço físico de trabalho, de apetrechos pesqueiros e nas atividades festivas das comunidades. Identificou-se, ainda, que os saberes empreendidos pelas famílias no uso dos recursos dos manguezais se devem à transmissão de saberes dos mais "velhos" aos mais "novos", onde a inserção ocorre muito cedo, ainda na infância, e se concretiza de modo geral, na juventude quando passam a integrar os grupos pesqueiros interfamiliares. Logo, conclui-se que essas famílias têm como marca de suas atividades uma relação direta e holística no ambiente do manguezal, tanto no que diz respeito ao usufruto dos recursos que este oferece quanto na sua dinâmica social, econômica e cultural

Amazon rainforest · Art · Biology · Humanities · Rural Development and Agriculture · Ecology

Highly citedNo

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