A palavra de Antônio Mulato
Bibliographic Data
| ID | 3906105 |
|---|---|
| Authors | Carla Ladeira Pimentel Águas (0000-0001-8339-5017, corresponding author) |
| Year | 2008 |
| Volume | 02 |
| Issue | 02 |
| Publication date | 2008-12-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | e-cadernos CES (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1647-0737 • E-ISSN: 1647-0737 |
| Publisher | OpenEdition (PUBLISHER) |
| DOI | 10.4000/eces.1282 |
| OpenAlex | W1965462262 |
| Language | PT |
| Citations received | 1 |
| References cited | 4 |
Antônio Mulato é um negro de 102 anos que vive no Quilombo de Mata Cavalo, uma comunidade rural situada no município de Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso, Brasil. Acorda cedo para plantar mandioca e outras culturas, e usa o dinheiro da parca reforma para pagar outros trabalhadores para ajudá-lo. A terra, ele herdou dos seus antepassados, que, em 1883, receberam uma área de 14 mil hectares da senhora Ana Tavares. Sem descendentes, ela deixou o seu legado para os escravos – antecipando, portanto, uma liberdade que apenas seria oficializada no país em 1888.O Quilombo de Mata Cavalo é uma hoje uma comunidade negra rural composta por mais de 400 famílias. A partir dos anos 40, seus habitantes foram expulsos para as periferias urbanas. Apenas seis famílias permaneceram no local, algumas delas a trabalhar para os latifundiários que alegavam ser os legítimos proprietários das terras. Mas, a partir dos anos 60, os membros dispersos da comunidade iniciaram um movimento de retorno ao quilombo.Apesar de todas as pressões, lá estão os moradores de Mata Cavalo até hoje, resistindo entre grandes batalhas judiciais e a várias tentativas de expulsão, num processo que envolve procuradores, juízes, jornalistas, académicos, políticos e polícias.A trajectória de Mata Cavalo é a personificação de um problema mais amplo: séculos depois dos primeiros escravos serem levados para a América Latina, as comunidades formadas pelos negros que, de um modo ou de outro, escaparam à escravidão, continuam a precisar resistir contra ameaças externas. Por outras palavras: a eles continua sendo negado o acesso à terra.Este é o momento histórico e o lugar de enunciação a partir do qual discursa o Sr. Antônio Mulato, cuja palavra serviu-me de suporte para reflexões, feitas à luz de conceitos tais como tradução, fronteiras, diáspora e identidade. O entrevistado é portador de saberes que, fugindo do paradigma hegemónico, evidenciam a necessidade do diálogo intercultural. Além disso, seu discurso revela o duelo de forças entre a globalização neoliberal e a resistência de comunidades como Mata Cavalo, capazes de criar engenhosas estratégias para não sucumbir às pressões do agrobusiness
Art · Geography · Humanities · Rural Development and Agriculture · Urban Development and Societal Issues
| Unique citing works | 1 |
|---|---|
| Citations per year | 0,06 |
| Citation span | 2010 - 2010 (1) |
| Citation velocity | historical |
| Highly cited | No |
| Citation types | Neutral: 1 |