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De Hannah Arendt a Nicolas Sarkozy

Leitura Pós-Colonial Do Discurso Africanista

Bibliographic Data

ID3906249
AuthorsFabrice Schurmans (0000-0001-8451-1921, University of Coimbra, corresponding author)
Year2008
Volume02
Issue02
Publication date2008-12-01
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
Venuee-cadernos CES (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1647-0737 • E-ISSN: 1647-0737
PublisherOpenEdition (PUBLISHER)
DOI10.4000/eces.1284
OpenAlexW1968162631
LanguageEN
References cited5

Se julgarmos o estado de uma sociedade à luz da relação que esta mantém com o seu passado, temos de concordar que a França da V República tem um problema com a gestão da memória do seu passado colonial. O ponto de vista oficial oscila entre a deformação dos factos e a denegação dos crimes e traduz-se numa lei (23 de Fevereiro de 2005) que pretende realçar no seu artigo 4 o papel positivo da colonização. Para mim, esta atitude, assim como a recusa de um pedido de desculpa às vítimas, revelam uma outra questão, mais essencial: o quadro epistemológico no qual se insere a maior parte dos discursos sobre África. De facto, grande parte destes manam de uma ideologia, o africanismo, que simultaneamente pretende facultar uma explicação totalizante/satisfatória e enclausura tanto o sujeito (o Africano é reduzido a algumas característica essenciais) como o produtor (que não consegue extrair-se do quadro em questão). Pretendo aqui examinar dois textos africanistas, As Origens do Totalitarismo (Arendt) e o Discurso de Dakar (Sarkozy), que com mais de cinquenta anos de distância entre si retomam os mesmos tópicos sobre a África para os transformar em veículos da ideologia africanista. Tentarei também analisar a fonte filosófica (Hegel) que irriga ambos os textos e mostrar a premência do africanismo (e por conseguinte a dificuldade em combatê-lo) no seio de uma certa sociedade ocidental. Apesar de cinquenta anos de refutação e desconstruções por parte de intelectuais e cientistas oriundos tanto do Sul como do Norte, o africanismo continua a prosperar numa multiplicidade de textos: da literatura popular à imprensa passando pelo cinema, ele reproduz-se não só pela utilização dos poucos estereótipos ao seu dispor como pela actualização sistemática da mesma estratégia discursiva. A força com a qual esta ideologia continua a se impor torna assim difícil, a meu ver, falar de uma relação de igualdade entre as partes

Art · Humanities · Linguistics and Education Research · Literature, Culture, and Criticism · Migration, Racism, and Human Rights · Philosophy

  • The Idea of Africa

    V Y Mudimbe, V Mudimbe•The idea of Africa•1994

  • The Invention of Africa

    V Mudimbe•The invention of Africa•1988

  • The Location of Culture

    Homi K Bhabha, Homi Κ Bhabha•Location of Culture•2012

  • Peau noire, masques blancs

    Frantz Fanon•Peau noire, masques blancs•2011

Citation velocityhistorical
Highly citedNo

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