Discurso de Violência no Apocalipse de João e o corpo feminino
Linguagem e poder
Bibliographic Data
| ID | 4161244 |
|---|---|
| Authors | Kenner Roger Cazotto Terra (0000-0002-2007-6745, corresponding author), Kenner Terra |
| Year | 2024 |
| Volume | 38 |
| Issue | 1 |
| Pages | 87-111 |
| Publication date | 2024-11-11 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Estudos de religião (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0103-801X • E-ISSN: 2176-1078 |
| Publisher | Methodist University of São Paulo (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.15603/2176-1078/er.v38n1p87-111 |
| OpenAlex | W4404237599 |
| Language | PT |
A linguagem apocalíptica é perpassada por símbolos de violência e esperança. No limite das metáforas, as imagens discursivas nessa literatura são instrumentos de construção de identidade e organização de mundo. Seguindo essa tradição do segundo templo, o visionário João convida seus interlocutores das sete igrejas da Ásia interpretarem o Império Romano como habitação do caos, o que exigiria das comunidades de fé da região asiática do primeiro século rigoroso ascetismo. Como contradiscurso, o Apocalipse contraria a propaganda imperial de ordem e pax descrevendo a realidade como habitação do dragão (Ap 12-13;17), o que exigiria total separação cultural. Sua estratégia discursiva, como defendem as atuais pesquisas, à luz das análises discursivas, estabelece fronteiras rigorosas nas quais se fortalecem os limites simbólicos dos seguidores do cordeiro ou da besta. Nesse cenário de construção de identidade, a corporeidade feminina é tratada no Apocalipse como parte do sistema maligno. Seguindo as orientações metodológicas que compreendem o texto como resultado estratégias de enunciação, a partir das teorias do discurso, o capítulo mostrará como as imagens vinculadas imageticamente ao feminino servem material simbólico no discurso ascético de João. A hipótese deste ensaio é que a linguagem do Apocalipse, a despeito de apresentar uma dura crítica ao Império, ao mesmo tempo fortalece a violência de gênero e tem potência de legitimação da misoginia, o que nos obriga ler o texto com cuidado crítico e inversão simbólica
Art · Humanities · Sociology · Religion and Society in Latin America
| Highly cited | No |
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