Uma trajetória em narrativas
O artesanato intelectual de Renato Ortiz
Bibliographic Data
| ID | 4190830 |
|---|---|
| Authors | Clovis Carvalho Britto (0000-0001-6267-544X, corresponding author) |
| Year | 2010 |
| Volume | 25 |
| Issue | 2 |
| Pages | 384-394 |
| Publication date | 2010-08-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Sociedade e Estado (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0102-6992 • E-ISSN: 1980-5462 |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/s0102-69922010000200012 |
| OpenAlex | W1985139669 |
| SCIELO_PID | S0102-69922010000200012 |
| Language | PT |
| References cited | 1 |
ao e possivel dissociar a leitura de Trajetos e memorias, recentelivro de Renato Ortiz, da palavra arquivo (arkhe). A etimologia dotermo remete a dois principios: comeco e comando. Lugar de me-moria, historia, ontologia. Lugar de onde a ordem e dada, organizacao, no-mologia. Conforme nos ensina Jacques Derrida (2001), o conceito de arqui-vo abriga a memoria do nome arkhe e, ao mesmo tempo, e abrigo dessamemoria que ele abriga. Do latim archivum ou archium, seu sentido viria doarkheim grego: uma casa, mais especificamente o domicilio dos magistra-dos superiores denominados arcontes. Nesse lugar, depositavam-se os do-cumentos oficiais e os arcontes eram seus guardiaes. Reitera o filosofo queos arcontes nao eram apenas os responsaveis pela seguranca fisica da casae dos suportes, cabiam-lhes, concomitantemente, o direito e a competen-cia hermeneuticos.E certo que reconhecer tais origens e fundamental, mesmo em um momen-to em que a palavra “arquivo” vem sendo, aos poucos, substituida pelotermo “acervo” com o intuito de contemplar a diversidade de suportes edestoar da falsa ideia de um deposito de documentos estatico. Arquivar eum ato de memoria que, por sua vez, preserva documentos-memorias. Or-ganizacao, colecao, preservacao, controle e acesso a informacoes. Todavia,mais do que entender suas origens e pesquisar em suas fontes, e importan-te atentarmos para a historia de seus arcontes. Isso porque a constituicaodos acervos e uma pratica compartilhada que os torna uma instância dedupla operacao: ao mesmo tempo em que o autor ou o conjunto de agentesrealizam uma serie de praticas arquivisticas para a constituicao de seu “ar-quivo”, eles tambem se “arquivam”. Recorremos a esse preâmbulo pelofato de que Renato Ortiz, ao recompor sua memoria seletiva iluminandoaspectos de sua trajetoria (que imbrica com outras trajetorias), torna-se umarconte e um “arquivo”. Ao desfiar a trama de sua vida em uma autonarrati-va (e engana-se quem suscitar a hipotese de que o livro consiste em um
Art · Humanities · Sociology · Brazilian cultural history and politics · Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism
| Citation velocity | historical |
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| Highly cited | No |