Indigenismo, trabalho e sistema mundial
Poder Tutelar E Povos Indígenas No Capitalismo Neoextrativista
Bibliographic Data
| ID | 4295894 |
|---|---|
| Authors | A C Ferreira (0000-0002-5645-6862, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, corresponding author) |
| Year | 2024 |
| Volume | 50 |
| Issue | 1 |
| Pages | e45593 |
| Publication date | 2024-12-03 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Estudos Ibero-Americanos (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0101-4064 • E-ISSN: 1980-864X |
| Publisher | Edipucrs (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.15448/1980-864x.2024.1.45593 |
| OpenAlex | W4404947761 |
| Language | PT |
| References cited | 10 |
O objetivo deste artigo é examinar uma dimensão que tem sido secundarizada no estudo das relações interétnicas: o processo de proletarização indígena (da importância estratégica do trabalho assalariado e da inserção dos grupos étnicos na divisão internacional do trabalho). A etnicidade não pode ser apenas pensada sob a ótica da terra-território e da cosmologia/cultura, mas exige uma compreensão da ótica do trabalho e das relações de produção, visto que a força de trabalho indígena é essencial à constituição de cadeias mercantis globais e arranjos produtivos regionais; e, por outro lado, estas são centrais na estruturação da organização social e cultural dos diferentes grupos étnicos. A tese ou o argumento apresentado no texto é de que existe em curso uma reestruturação do sistema mundial (sob a dinâmica do neoextrativismo), que produz uma dupla tendência: de intensificação da exploração do trabalho indígena (sob a forma dos fluxos organizados de trabalho e das reservas de mão de obra), e de desterritorialização e concentração de terras - estando ambas estruturalmente relacionadas. O foco principal de nosso estudo será analisar o papel histórico do Estado, por meio do Indigenismo, na estruturação e gestão dos fluxos de trabalho indígena. Para isso, iremos analisar a transformação do campo indigenista em função das dinâmicas do sistema mundial (das convenções internacionais, da emergência de temas como o trabalho escravo contemporâneo e a questão ambiental, a entrada de novos atores estatais atuando na gestão dos povos indígenas) que produziram um novo tipo de poder tutelar e atualizaram o que chamamos de paradoxo da tutela. Deste modo, pretendemos contribuir para o estudo das relações interétnicas e dos modos como povos indígenas e economias domésticas são integrados às estruturas sociais da economia capitalista, bem como para um exame crítico dos discursos e das práticas de poder de Estado (e de diferentes formas de capital) sobre os povos indígenas
Humanities · Political science · Indigenous Health and Education · Indigenous Studies in Latin America · Philosophy · Social and Economic Solidarity
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