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O governo biopolítico do migrante de sobrevivência

Uma Leitura Crítica Da Lógica Do Capital Humano Na Era Neoliberal

Bibliographic Data

ID4320420
AuthorsCesar Candiotto (0000-0002-7172-4618, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, corresponding author)
Year2021
Volume44
Issue2
Pages87-106
Publication date2021-06-01
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueTrans/Form/Ação (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 0101-3173 • E-ISSN: 1980-539X
PublisherFapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER)
DOI10.1590/0101-3173.2021.v44n2.07.p87
OpenAlexW3189694281
SciELOS0101-31732021000200087
LanguagePT
Citations received1
References cited3

Neste artigo, retoma-se o significado do verbo "governar" como sendo a disposição correta dos homens mediante sua relação com as coisas. Essa definição foi proposta por Michel Foucault, em Segurança, território, população, a partir de sua leitura do pensador renascentista Guillaume La Perrière. Desdobra-se essa designação deixada por Foucault, para analisar a maneira de governar da biopolítica neoliberal contemporânea dos chamados migrantes de sobrevivência, conforme a denominação de Alexander Betts. Na governamentalidade biopolítica neoliberal, a regulação da circulação dos migrantes de sobrevivência é realizada pela sua dependência da circulação das coisas, no caso, o livre fluxo transnacional do capital econômico. Cogita-se que o critério normativo para diferenciar entre a boa e a má circulação dos migrantes, na época contemporânea, não ocorre no terreno da política, mas na esfera neoliberal da biopolítica, especialmente pelos seus desdobramentos no conceito de capital humano. Dele se depreende que não somente o trabalho produtivo, mas também a vida completa dos indivíduos é avaliada em termos de investimentos e riscos pela aquisição de competências, desenvolvimento de performances e mobilidade contínua. Em Nascimento da biopolítica, de 1979, Foucault considera que a migração é um dos investimentos mais arriscados na aquisição de capital humano, porém, ele a situa de maneira homogênea, como se qualquer migrante pudesse se subjetivar como um empresário e investidor de si mesmo. Sustenta-se que a objetivação negativa dos migrantes de sobrevivência, como improdutivos e indesejáveis, tem como possível causa sua identificação indiferenciada a qualquer outro migrante econômico que busca qualificar seu capital humano. Ao se apresentar esse argumento, evidencia-se o mecanismo de economização da vida que permeia a subjetivação neoliberal e os reducionismos dele resultantes, tal como a redução da vida ao conceito de homo oeconomicus e sua designação como capital humano. Propõe-se que uma maneira de evitar esses reducionismos consiste na tentativa de conversão do olhar em relação ao migrante de sobrevivência, a começar pelo desnudamento da racionalidade que alimenta a produção biopolítica de sua existência

Capital (architecture · Governmentality · Migration, Racism, and Human Rights · Social and Economic Solidarity · Social and Political Issues

  • "Comentário a "O governo biopolítico do migrante de sobrevivência

    Open Access•Thiago Fortes Ribas•Trans/Form/Ação•2021

  • Survival Migration

    Alison Betts•Global Governance A Review of…•2010

  • Crime and Punishment

    Gary S Becker•Journal of Political Economy•1968

  • Ne pas faire vivre et laisser mourir

    Judith Revel•Esprit•2018

Citations per year0.2
Citation span2021 - 2021 (1)
Highly citedNo

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