Semiótica afetiva da paisagem. A Enciclopédia de Istanbul de Reșat Ekrem Koçu a Orhan Pamuk
Bibliographic Data
| ID | 4359438 |
|---|---|
| Authors | Biagio D''Angelo (0000-0001-9333-4461, Universidade de Brasília, corresponding author) |
| Year | 2023 |
| Volume | 54 |
| Issue | 1 |
| Pages | e1929 |
| Publication date | 2023-12-29 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Revista da Anpoll (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1414-7564 • E-ISSN: 1982-7830 |
| Publisher | ANPOLL (PUBLISHER) |
| DOI | 10.18309/ranpoll.v54i1.1929 |
| OpenAlex | W4391366622 |
| Language | PT |
Enriquecido de fotografias, algumas das quais realizadas por Ara Güler, e das reproduções dos panoramas sobre o Bósforo de A.I. Melling, Istanbul de Orhan Pamuk é um "autorretrato sob forma de cidade". Inspirando-se à poética oriental de Hugo ou à curiosidade de Baudelaire sobre Paris, Pamuk indaga Istanbul como cidade da memória pessoal mas também como microcosmo enciclopédico. Um dos capítulos centrais é dedicado à Enciclopédia de Istanbul de Reșat Ekrem Koçu (1905-1975), uma pseudo-enciclopédia de quase 11 volumes, onde Koçu descreve a cidade turca sob inúmeros aspectos, desde a era otomana. Pamuk, que tem Koçu em grande consideração, avança a hipótese que uma das razões para o fracasso dessa obra é porque é uma enciclopédia melancólica e, portanto, incompleta. Istanbul é vista também por Pamuk como paisagem melancólica e como enciclopédia urbana visual. Pamuk parece continuar a obra incompleta de Ekrem Koçu e amplia a perspectiva da cidade em um microcosmo enciclopédico reconstruindo-a por meio das leituras de renomados viajantes do século XIX como Nerval, Gautier e Flaubert, deslumbrados pelas miragens do exotismo. Retomando a obra de Ekrem Koçu, Pamuk descreve Istanbul com paixão classificatória. Para ele, a saudade que domina Istanbul, o hüzün, é uma paisagem interior que marca um universo perdido para sempre (o Império Otomano), do qual os habitantes carregam as feridas. De Ekrem Koçu a Pamuk, a enciclopédia de Istanbul possibilita uma semiótica afetiva da paisagem, onde o espaço configura-se como um sistema complexo e ilimitado de signos que o artista produz para interrogar e representar suas memórias e seu presente
Art · Humanities · Cultural, Media, and Literary Studies · French Literature and Critical Theory · Semiotics and Representation Studies
| Highly cited | No |
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