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Meronímia e (in)alienabilidade em Apurinã

Bibliographic Data

ID4384653
AuthorsMarília Fernanda Pereira De Freitas (0000-0001-7607-6077, Universidade Federal do Pará), Roseane Pereira Cordovil (0000-0002-2441-1272, Universidade Federal do Pará)
Year2021
Volume17
Issue1
Pages176-190
Publication date2021-04-12
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueRevista Linguíʃtica (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1808-835X • E-ISSN: 2238-975X
PublisherRevista Linguistica (PUBLISHER)
DOI10.31513/linguistica.2021.v17n1a38227
OpenAlexW4310369533
LanguagePT
References cited1

O presente artigo discute o fenômeno da meronímia na língua indígena Apurinã (família Aruák), que corresponde aos processos envolvidos na expressão das relações parte/todo (CRUSE, 2011). São poucos os trabalhos linguísticos descritivos que contemplam tal questão em línguas indígenas (KLEIN, 2000). Em Apurinã, os merônimos apresentam comportamento morfossintático específico, a depender da classe de nomes a que pertencem. A maioria dos merônimos em Apurinã é codificada sob a forma de nomes inalienáveis, que apresentam padrões de marcação morfológica diferentes daqueles dos nomes alienáveis, embora haja alguns casos de merônimos codificados como alienáveis, por exemplo, certas partes de plantas como kawy-ry1 (pupunha-N.POSSD2) 'pupunha'/ ny-kawy-re (1SG-pupunha-POSSD) 'minha pupunha'. Dentre os inalienáveis, temos os merônimos relativos a partes do corpo (incluindo conceitos relacionados ao corpo, ainda que metaforicamente, e alguns conceitos abstratos), como kanuke-txi (braço.de3-N.POSSD) 'braço (não se sabe de quem)'/ py-kanuke (2SG-braço.de) 'teu braço', que recebem o sufixo -txi; diferindo dos inalienáveis relativos aos termos de parentesco, que não recebem esse sufixo, pela impossibilidade de ocorrerem não possuídos, como em nh-ithary (1SG-irmão.de) 'meu irmão'/ *ithary-txi (irmão). Assim, o macrodomínio semântico dos merônimos em Apurinã se organiza de modo complexo, embora sistemático e, dada a carência de estudos desse fenômeno em línguas indígenas, justifica-se a relevância desta pesquisa.[1]Chave para a ortografia: y = [i]; ts = [ts]; x [ʃ]; tx = [tʃ]; th = [c].[2]Abreviaturas usadas neste artigo: 1 = 1a pessoa; 2 = 2a pessoa; 3 = 3a pessoa; SG = singular; PL = plural; POSSD = possuído; N.POSSD = não possuído; INTENS = intensificador; F = feminino; M = masculino; O = objeto; VBLZ = verbalizador.[3]Nomes inalienáveis em Apurinã são glosados desta maneira pelo fato de a posse fazer parte da entrada lexical de tais nomes

Humanities · Sociology · Linguistics and Education Research · Linguistics and Language Studies · Philosophy · Syntax, Semantics, Linguistic Variation

  • Meaning in Language. An Introduction to Semantics and Pragmatics

    Open Access•J A G Ardila•Journal of Pragmatics•2011

Citation velocityhistorical
Highly citedNo

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