Resistência cotidiana, fugas e a dominação negociada
Bibliographic Data
| ID | 4515109 |
|---|---|
| Authors | Karl Monsma, Karl Martin Monsma (0000-0001-9568-1774, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, corresponding author) |
| Year | 2014 |
| Volume | 33 |
| Issue | 2 |
| Pages | 29-52 |
| Publication date | 2014-06-13 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Raízes Revista de Ciências Sociais e Econômicas (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0102-552X • E-ISSN: 2358-8705 |
| Publisher | Raizes Revista de Ciencias Sociais e Economicas (PUBLISHER) |
| DOI | 10.37370/raizes.2013.v33.388 |
| OpenAlex | W3015553240 |
| Language | PT |
| References cited | 2 |
Os campeiros escravizados nas estâncias de criação de gado no Rio Grande do Sul no século XIX trabalhavam a cavalo, armados e sem fiscalização constante em uma região perto de fronteiras internacionais, o que certamente facilitava sua resistência, especialmente as fugas. A evidência examinada aqui sobre as relações entre os senhores e estes cativos confirma aspectos centrais do argumento de James Scott, mostrando que a maioria desses escravos não acreditava que seu cativeiro fosse justo e que a resistência cotidiana e de pequena escala proporcionava melhorias nas suas condições materiais e simbólicas de vida. Entretanto, a evidência não é totalmente coerente com outro argumento de Scott, segundo o qual a deferência dos subalternos é simplesmente fingida e as exigências deles são formuladas dentro da lógica hegemônica por motivos puramente estratégicos. Os campeiros cativos não se rebelavam ou evadiam a cada oportunidade que aparecia. A evidência sugere que, dado a existência da escravidão, eles reconheciam as normas e obrigações morais que haviam se desenvolvido ao longo do tempo para regular as relações entre senhores e cativos. Essas normas implicavam obrigações de ambos os lados e, em muitos casos, constituíam a melhor maneira de limitar a brutalidade dos senhores ou capatazes e de ganhar algumas melhorias dentro do sistema. Existe uma diferença importante entre a legitimidade de um sistema de dominação e a autoridade de indivíduos com poder dentro do sistema. Como indivíduos, os senhores podiam ganhar o respeito dos cativos pelo tratamento relativamente decente e pela distribuição de favores. Os escravos estavam enredados em uma teia de relações pessoais de poder que minavam sua solidariedade, separando e individualizando-os, premiando a lealdade a senhores específicos e punindo a rebeldia
Humanities · Law and economics · Political science · Sociology · History of Colonial Brazil · History of Medicine and Tropical Health · Philosophy · Sociology and Education in Brazil
| Highly cited | No |
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