Filosofia da Libertação e Analítica da Dominação
Uma Leitura Interseccional
Bibliographic Data
| ID | 4795683 |
|---|---|
| Authors | Caterina Alessandra Rea (0000-0001-6868-6668, University for International Integration of the Afro-Brazilian Lusophony, corresponding author), Caterina Rea |
| Year | 2016 |
| Volume | 2 |
| Issue | 2 |
| Publication date | 2016-02-19 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Cadernos de Gênero e Diversidade (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 2525-6904 • E-ISSN: 2525-6904 |
| Publisher | Universidade Federal da Bahia (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.9771/cgd.v2i2.21393 |
| OpenAlex | W2622891212 |
| Language | PT |
| References cited | 1 |
Este texto pretende fundamentar uma filosofia da libertação a partir do seu reverso indissociável, a analítica da dominação/opressão. Nesta direção, ressaltamos a noção prático-teórica da interseccionalidade, entendida como a "apreensão cruzada e imbricada das relações de poder" (DORLIN, 2009: 9) e de seus processos dinâmicos de produção social e histórica. Elaborada a partir dos anos 1970 e 1980 no seio do Black Feminism e amplamente retomada pelas produções feministas pós-coloniais e subalternas mais recentes, esta noção permite abordar o fenômeno da dominação/opressão como um fenômeno complexo e plurifacetado. A categoria da interseccionalidade permite, assim, abarcar as diferentes expressões da dominação, entrelaçando as expressões em termos de gênero, sexualidade, raça/etnia, classe ou nacionalidade; ela permite também destacar o caráter plural das identidades dos grupos e dos sujeitos tocados pelos processos de dominação/opressão e articular a proliferação das lutas e das formas de libertação, simultaneamente direcionadas contra o sexismo, o heterossexismo, o racismo, a opressão de classe ou de nacionalidade. No contexto pós-colonial, entendido como "a tensão entre a superação do colonialismo e a persistência da colonialidade que regula as identidades de sexo/gênero, raciais e políticas" (BIDASECA; OTO; OBARRIO; SIERRA, 2015: 19), a noção da interseccionalidade visa a questionar tanto o universalismo eurocêntrico, compartilhado por boa parte do feminismo hegemônico, como o esencialismo mobilizado por diferentes grupos identitários que, no nome da defesa das culturas locais e específicas, chegam - em diversos casos - a justificar práticas culturais de tipo patriarcal e opressoras das mulheres e de quem enfrenta a heteronormatividade estabelecida (CRENSHAW, 1989/2005 e CASTILLO, 2015). Uma leitura feminista e pós-colonial dos processos interligados de libertação implica a análise crítica do legado colonial que atravessa a violência patriarcal dos grupos subalternizados, naturalizando as identidades e exasperando as dinâmicas de racialização do gênero e de sexualização da raça
Humanities · Sociology · Philosophy · Race, Identity, and Education in Brazil · Social and Economic Solidarity · Social and Political Issues
| Highly cited | No |
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