No dia em que eu caí ninguém entendeu, porque eu era guerreira
Maternagem e Síndrome Congênita do Vírus Zika em tempos de Covid-19
Bibliographic Data
| ID | 4916600 |
|---|---|
| Authors | Juan Vicent Garcia (0000-0002-4208-0489, Universidade de Brasília, corresponding author) |
| Year | 2022 |
| Volume | 17 |
| Issue | 1 |
| Publication date | 2022-05-31 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Teoria e Cultura (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 1809-5968 • E-ISSN: 2318-101X |
| Publisher | Universidade Federal de Juiz de Fora (PUBLISHER) |
| DOI | 10.34019/2318-101x.2022.v17.34434 |
| OpenAlex | W4312911777 |
| Language | PT |
| References cited | 1 |
A maternagem foi historicamente atribuída ao gênero feminino. O zelo, a dedicação e a abdicação de si em prol do bom desenvolvimento da criança tornaram-se características intrínsecas ao ideal de "boa mãe", afetando mais intensamente mães de crianças com deficiências que, muitas vezes, dependem de cuidado integral. Neste artigo busco analisar, à luz de uma maternagem específica - a de "mães de micro", cujas crianças nasceram com a Síndrome Congênita do Vírus Zika em Recife/PE - os impactos de ser uma "boa mãe" na vida e na saúde dessas mulheres, bem como as consequências desse cuidado integral ao longo da epidemia de Zika e com a chegada da pandemia de Covid-19. A partir de dados provenientes do trabalho de campo etnográfico junto a essas mulheres foram constatadas narrativas de cansaço, solidão e sofrimento psíquico, as quais foram intensificadas no contexto atual devido à suspensão das atividades de reabilitação de seus filhos e ao confinamento e sobrecarga doméstica. Se essas mulheres já eram mães e cuidadoras em tempo integral, agora elas também se tornaram terapeutas de suas crianças, abdicando ainda mais de suas redes de apoio, sujeitando-se a uma maternagem ainda mais exigente, solitária e desgastante
Humanities · Physics · Political science · Health, Nursing, Elderly Care · Philosophy
| Highly cited | No |
|---|