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O Circuito Manicomial de Atenção

Patologização, Psicofarmaceuticalização e Estigma em Retroalimentação

Bibliographic Data

ID5314714
AuthorsMônica De Oliveira Nunes De Torrenté (0000-0002-5905-4199, Universidade Federal da Bahia), Maurice De Torrenté (0000-0001-8804-4961, Universidade Federal da Bahia), Patrícia Anjos Lima De Carvalho (0000-0002-3247-5145, Southwest Bahia State University)
Year2022
Volume42
Publication date2022-01-01
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenuePsicologia Ciência e Profissão (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1414-9893 • E-ISSN: 1982-3703
PublisherFapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER)
DOI10.1590/1982-3703003241846
OpenAlexW4312969477
SCIELO_PIDS1414-98932022000100256
LanguagePT
References cited11

Nas reformas psiquiátricas, a ruptura com o manicômio é um problema não apenas legal, mas cultural. Basaglia alertava para o "circuito de controle" na sociedade que define os comportamentos normais e patológicos, punindo e excluindo aqueles que não podem ser domesticados ou neutralizados. Neste artigo, utilizamos dados empíricos para propor o conceito de circuito manicomial do cuidado, desenvolvendo uma configuração própria de institucionalização pela articulação dos processos de patologização, psicofarmaceuticalização e estigma. Esse conjunto de processos garante uma base cultural para os mecanismos de perpetuação do manicômio, pois produz sociabilidades e sensibilidades manicomiais. O circuito manicomial de cuidado opera a céu aberto, por intermédio de um conjunto de discursos, práticas e tecnologias que trabalham de modo interdependente com o manicômio, com a especial participação da família, instituição que tende a manipular psicofármacos ao modo de tecnologias morais. Identificamos três atos que compõem o circuito manicomial do cuidado, por meio da análise hermenêutica de base ricoeuriana de dois casos que selecionamos de uma pesquisa etnográfica sobre trajetórias de (des)institucionalização de pessoas com sofrimento psíquico: a) o processo de alimentação da identidade patológica; b) a espiral do controle: psicofármacos reforçando o estigma patologizante; e c) a domesticação extramuros da solução-manicômio. Com esta análise, busca-se suprir uma das lacunas que têm sido observadas em estudos que examinam como os contextos de Reforma Psiquiátrica têm se ocupado insuficientemente da compreensão de como dinâmicas sociais e culturais impõem desafios ao trabalho de desinstitucionalização

Humanities · Sociology · Philosophy · Psychoanalysis and Psychopathology Research · Psychology and Mental Health · Youth, Drugs, and Violence

  • Reforma e contrarreforma psiquiátrica

    Open Access•Mônica De Oliveira Nunes De Torrenté, João Mendes De Lima Júnior et al.•Ciência & Saúde Coletiva•2019

  • Anatomy of an epidemic

    Bob Sapey•Disability & Society•2011

  • Estigma e violências no trato com a loucura

    Open Access•Mônica De Oliveira Nunes De Torrenté, Mônica Nunes et al.•Revista de Saúde Pública•2009

  • The Social Construction of What

    Ian Hacking•Social Construction of What?•2000

  • Toward a theory of schizophrenia

    Open Access•Gregory Bateson, Don D Jackson et al.•Systems Research and Behavioral…•2007

  • Locura y neoliberalismo. El lugar de la antipsiquiatría en la salud mental contemporánea

    Open Access•Juan Carlos Cea-Madrid, Juan Carlos Cea Madrid et al.•Política y Sociedad•2018

  • A reforma psiquiátrica e os desafios na desinstitucionalização da loucura

    Open Access•Alex Reinecke De Alverga, Magda Dimenstein•Interface - Comunicação Saúde…•2006

  • Uma aventura no manicômio

    Open Access•Paulo Amarante, Paulo Duarte De Carvalho Amarante•História Ciências Saúde-Manguinhos•1994

  • Da aplicação à implicação na antropologia médica

    Open Access•Mônica De Oliveira Nunes De Torrenté, Mônica De Oliveira Nunes•História Ciências Saúde-Manguinhos•2014

  • Estigma social e estigma internalizado

    Open Access•Larissa Alves Do Nascimento, Adriana Leão•História Ciências Saúde-Manguinhos•2019

Citation velocityhistorical
Highly citedNo

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