Skip to main content

ETHNOS_APP

Home • Search • Journals • List 0

A via Gangsta

Bibliographic Data

ID5352464
AuthorsFabio Magalhães Candotti (0000-0001-6399-6042, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), corresponding author), Fabio Candotti
Year2020
Volume1
Issue1
Pages126-141
Publication date2020-05-03
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueÁskesis - Revista des discentes do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 2238-3069 • E-ISSN: 2238-3069
PublisherFAI-UFSCar (PUBLISHER)
DOI10.46269/1112.441
OpenAlexW3117792839
LanguageEN
Citations received1

Corria o ano de 1992 em Atlanta, quando um recém-famoso rapper foi convidado para discursar num banquete organizado pelo Malcolm X Grassroots Movement, que já era então um dos mais importantes movimentos negros existentes nos EUA. O rapper é apresentado por um ilustre membro desse movimento, Watani Tyehimba, como "uma pessoa muito querida para mim, uma pessoa que é um revolucionário da segunda geração". Watani - que logo se tornaria seu braço direito - o conhecia desde criança. Havia lutado ao lado de sua família junto ao Black Panthers Party for Self Defense nos anos 1960 e 70. Havia, por isso, acompanhado seu crescimento. Sabia que sua mãe, Afeni Shakur, havia sido presa duas vezes e passado quase toda a gravidez na prisão, de onde saiu para ser perseguida pelo resto da vida, para ter suas menores lutas esmagadas, para não conseguir emprego em lugar algum e ser obrigada a migrar de tempos em tempos, para passar fome e se viciar em crack. Sabia que seu pai de sangue os havia abandonado e que seus tios e padrastos haviam sido todos presos ou mortos. Sabia ainda que, apesar de todas as desgraças, sua educação havia honrado seu nome (uma homenagem a dois chefes indígenas andinos), que havia sido criado como um verdadeiro black prince e que nos anos 1980 ocupara a posição de chairperson da organização juvenil New Afrikan Panthers. Acima de tudo, Watani sabia aquilo que todos ali sabiam: que aos 21 anos de idade, além de ter vendido algumas centenas de milhares de cópias do primeiro álbum, de ter lançado um videoclipe visto em todos os EUA que conta a história de Brenda, uma jovem mãe solteira 3 , esse rapper havia conquistado muito rapidamente um imenso respeito nas ruas dos guetos, principalmente em Los Angeles, cidade que naquele mesmo ano - e pela segunda vez em menos de trinta anos - fora o palco de mais uma revolta popular que mobilizou a Defesa Nacional e resultara em cerca de 25 mil presos 4 . Carregado por essa memória dupla, dos movimentos sociais e das ruas, Tupac Amaru Shakur, o rapper, não sabe bem onde se posicionar, não sabe bem quando dizer "nós" e "vocês" ou "nós" e "eles". Parece, entretanto, saber com bastante certeza que aquilo que aquele público precisava ouvir naquele momento dizia respeito justamente a essa dificuldade

Art · Humanities · Caribbean history, culture, and politics · Music History and Culture · Race, History, and American Society

  • "Do ponto de vista do "crime

    Open Access•A Marques•Horizontes Antropológicos•2016

Unique citing works1
Citations per year0,1
Citation span2016 - 2016 (1)
Citation velocityhistorical
Highly citedNo
Citation typesNeutral: 1

Tools

Open DOIOpen Access
Ethnos_APP • Open Source Project • MIT License • Frontend v2.0.0 • Privacy and Cookies • API Documentation: api.ethnos.app/docs • API Source Code: GitHub • DOI: 10.5281/zenodo.17049435 • Frontend Source Code: GitHub • DOI: 10.5281/zenodo.17050053 • cruz.rio.br • Expectantes Misericordiae