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Biopoder e racismo na Guerra do Contestado

A Periculosidade Social Imputada Às Populações Caboclas

Bibliographic Data

ID5772588
AuthorsLuana Taborda (0000-0002-1712-1963, Universidade Federal de Santa Catarina, corresponding author)
Year2023
Volume10
Pages644-678
Publication date2023-11-10
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueProfanações (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 2358-6125 • E-ISSN: 2358-6125
PublisherUniversidade do Contestado - UnC (PUBLISHER)
DOI10.24302/prof.v10.4989
OpenAlexW4388582913
LanguagePT
References cited2

Este artigo se propõe a analisar a Guerra do Contestado, ocorrida entre os anos de 1912 e 1916, nas terras do planalto meridional do Sul do Brasil, entre os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto produto do biopoder e do racismo, em cujo conflito as populações caboclas foram associadas à periculosidade social, considerando o papel da raça, racismo e inferioridade socialmente imputadas. Embora este legado histórico reverbere de diferentes formas em tempos atuais, saliento como a população cabocla das terras Contestadas tem traçado estratégias de resistência visando reconhecimento de sua existência e de suas tradições culturais e religiosas. A metodologia agrega fontes bibliográficas e fotográficas, além de considerar o contexto histórico, cultural e econômico, procurando analisar o fenômeno da Guerra do Contestado com as lentes analíticas do biopoder, racismo e periculosidade social. Demonstra-se como as fotografias do conflito foram mobilizadas enquanto dispositivos de poder, e como o conceito de contra-memória, tal como formulado por Michel Foucault, permite compreender como a memória sempre está em disputa dada a pluralidade de poderes, forças e práticas socialmente existentes. Conclui-se que no caso dos povos que habitavam o Sul do Brasil no início do século XX, a construção da periculosidade social deu-se segundo um racismo estatal particularmente violento, evidenciando como na conjuntura histórica geradora do conflito do Contestado, o biopoder se exerceu através do racismo, onde o Estado e as instituições do poder perpetraram violências e chacinas sobre os corpos indóceis dos insurgentes. Palavras-chave: Guerra do Contestado; biopoder; periculosidade social; população cabocla

Migration, Racism, and Human Rights · Race, Identity, and Education in Brazil · Urban and sociocultural dynamics

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