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Gilda de Mello e Souza

Ainda se trata de formação [1996 a 2006]

Bibliographic Data

ID5780020
AuthorsOtília Beatriz Fiori Arantes (0000-0002-2514-4049), Paulo Eduardo Arantes (0000-0002-8701-8742)
Year2021
Publication date2021-02-11
Open AccessYes
TypeBOOK
VenueGilda de Mello e Souza (SOURCE_BOOK)
PublisherEditora do Autor (PUBLISHER)
DOI10.34024/9786500133691
OpenAlexW3193255880
ISBN9786500133691
LanguageEN

Os quatro ensaios que compõem este livro procuram dar conta do que se poderia chamar de "método" do ensaísmo crítico de Gilda de Mello e Souza. Muito embora a nota específica de sua prosa de ensaio não se reduza a uma questão de método, não seria exagero caracterizar seu estilo como uma variante altamente elaborada daquilo que o historiador Carlo Ginzburg chamou de "método indiciário", que por sua vez entronca na linhagem que Lionello Venturi reabilitou na figura do perito-conoscitore. Na esteira do desinteresse pela teoria, típico do grupo Clima, Gilda muito cedo percebeu "a importância desse exercício crítico minucioso, paciente, centrado na observação das características mais insignificantes". Uma amostra exemplar deste procedimento encontra-se no ensaio sobre a crítica cinematográfica de Paulo Emílio Sales Gomes, que ela interpreta como um singularíssimo exercício de perícia detetivesca. Pois é essa mesma abordagem indiciária que lhe permite reconhecer em Almeida Jr. o pintor que pela primeira vez revela em suas telas o "homem brasileiro", inaugurando um novo ciclo da pintura no Brasil, que até então obedecia aos esquemas herdados do academicismo europeu na representação dos temas nacionais. Deixando-se levar por sua própria experiência de menina do interior, mas sobretudo, pelo olhar educado no estudo das técnicas corporais descritas em sua tese sobre a Moda no Século XIX, Gilda foi assim capaz de identificar essa figura, à margem dos esquemas culturais importados, através dos mínimos indícios e sinais presentes em todo um ritual de gestos e posturas corporais das figuras do pintor ituano. Com isso, algo como a formação da pintura brasileira por assim dizer despontava no horizonte, culminando no Modernismo, para depois se desdobrar em outras configurações, como nos casarios dos pintores da Escola Paulista, chegando até às cidades esvaziadas de um Gregório Gruber. A dívida de Gilda para com os mestres "amadores" franceses (Jean Maugüé, Lévy-Strauss e Roger Bastide) é recapitulada no último ensaio. Ao final, encerrando esse volume, um trecho de uma entrevista de Otília Arantes, dada em 2016, por ocasião dos dez anos de morte de Gilda de Mello e Souza. Palavras-chave: Gilda de Mello e Souza, Estética, Crítica de Arte, História da Arte, Artes Plásticas, Pintura, Moda, Formação, Almeida Jr., Mário de Andrade, Gilberto Freire, O homem brasileiro, O maleiteiro, Dinâmica dos gestos, Século XIX, Eliseu Visconti, Mário Pedrtosa, Tarsila do Amaral, Família Paulista, Gregório Gruber, Ensaismo, Carlo Guinzburg, Método indiciário, Gombrich, Estrutura relacional, Leonello Venturi, Grupo Clima, Jean Maugüé, Lévy Strauss, Roger Bastide, Crítica de Amador

Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism · Sociology and Education in Brazil

Citation velocityhistorical
Highly citedNo

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