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O falocentrismo e seus descontentes. Por uma leitura feminista da antropofagia

Bibliographic Data

ID5838549
AuthorsEmanuelle Beserra De Oliveira (0000-0002-3863-7491, corresponding author), Emanuelle Oliveira
Year1999
Volume12
Issue23-24
Pages261-272
Publication date1999-01-01
Open AccessNo
TypeARTICLE
VenueNuevo texto crítico/Nuevo texto crítico (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1048-6380 • E-ISSN: 1940-9079
PublisherProject MUSE (PUBLISHER • US)
DOI10.1353/ntc.1999.0014
OpenAlexW49180472
LanguagePT
Citations received1
References cited3

O FALOCEjNTRISMO E seus DESCONTENTES. POR UMA LEITURA FEMINISTA DA ANTROPOFAGIA _____________EMANUELLE OLIVEIRA_____________ University ofMissouri Eu estava comendo os textos, estava lambendo-os, chupándoos, beijando-os, Eu sou a inumerável criança de suas multiplicidades. Helene Cixous, La venue à l'écriture Introduçâo Oswald de Andrade tem sido constantemente celebrado pela crítica brasileira como o detonador de uma verdadeira renovaçâo estética na literatura brasileira. Contudo, para os estudiosos do autor, Andrade sempre esteve além da reformulaçâo estética, constituindo-se como promotor de uma nova ética, caracterizada pela superaçao da "civilizaçâo patriarcal e capitalista , com as suas normas rígidas, no plano social, e os seus recalques impostos , no plano psicología)" (Candido e Castello, citado em Campos, "Poética" xxxvi). Neste sentido, é curioso notar que as categorías comumente utilizadas para designar o caráter da produçâo artística de Oswald de Andrade encontram-se impregnadas de profundas conotacóes políticas. Palavras como "revoluçâo", "radicalismo", "ruptura", projetam no plano do inconsciente uma correspondencia quase que imediata entre inovaçâo artística e transforma çao social. Esta correlaçâo, muitas vezes, pode produzir um perigoso reducionismo , uma vez que posicóes estéticas radicáis näo necessariamente implicam em posicóes políticas radicáis (Johnson 31). No prefacio a Serafim Ponte Grande, o proprio Oswald de Andrade percebe a disparidade entre o campo estético e o campo social. Nesse texto, o autor repudia a Antropofagia, movimento que havia lançado em 1928 com o Manifesto antropófago e afasta-se do Modernismo, para abracar as diretrizes do Partido Comunista, ao qual se filiou em 1931: O movimento modernista, culminando no sarampáo antropofágico, parecía indicar um fenómeno avançado. Sao Paulo possuía um poderoso parque industrial. Quem sabe se a alta do café näo ia colocar a literatura nova-rica da semicolónia ao lado dos custosos surrealismos imperialistas? (...) Eu prefiro simplesmente(c)1999 NUEVO TEXTO CRITICO Vol. XII No. 23/24, Enero a Diciembre 1999 262________________________________________________EMANUELLE OLIVEIRA me declarar enojado de tudo. E possuído de uma única vontade. Ser, pelo menos , casaca de ferro na Revoluçâo Proletaria. (10-11) Assim, o que parece permanecer tanto no Manifesto antropófago quanto em Serafim Ponte Grande é o sarcástico e corrosivo humor oswaldiano; um humor que funciona, nao como detonador de estruturas sociais, mas sim como arguto crítico de uma elite pré-capitalista e patriarcal, socialmente caduca e culturalmente identificada com os padróes europeus. O objetivo deste trabalho é problematizar o alcance da crítica social oswaldiana, através de uma releitura das duas obras ácima mencionadas. No caso do Manifesto antropófago, o ponto de partida é o instigante argumento de Leslie Bary, apresentado no artigo "The Tropical Modernist as Literary Cannibal: Cultural Identity in Oswald de Andrade." Segundo a autora, ao pretender inaugurar uma cultura contra-hegemónica através de uma "degluti çao antropofágica" de valores culturáis europeus, a fim de adaptá-los e incorporá-los à cultura nacional, Oswald termina por reafirmar a sociedade patriarcal que tanto condena (12-13). Do mesmo modo, propóe que, em Serafim Ponte Grande, a representaçao de uma sexualidade anarquizante, longe de inaugurar uma "sociedade antropofágica", caracterizadora de uma utopia de liberdade e renovaçâo (Campos, "Serafim" 169), constitui-se verdadeiramente um repositorio dos mesmos ideáis burgueses que o autor julga repudiar. Sugere que ambas as obras circulam através de uma economía falocêntrica, uma vez que o Manifesto antropófago e Serafim Ponte Grande sao regulados por uma lógica patriarcal, que se traduz no privilegio do falo tanto no espaço simbólico quanto no campo sócio-económico. Neste sentido , Bary postula que a antropofagia de Oswald de Andrade apresenta uma discrepancia entre a formulaçâo teórica que se quer propor através de uma experimentaçâo estética e a representaçao simbólica que de fato se deriva da sua narrativa. No entanto, näo deixamos de destacar a contribuiçâo do autor -a intuiçâo de Oswald de Andrade sobre a problemática da produ- çâo

Arts and Performance Studies · Gender, Sexuality, and Education · Literature, Culture, and Criticism

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    Jane Marie Todd, Toril Moi•Comparative Literature•1987

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Citations per year0.25
Citation span2022 - 2022 (1)
Highly citedNo

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