Esquerda e direita no espelho das ONGs
[2000]
Bibliographic Data
| ID | 5840673 |
|---|---|
| Authors | Paulo Eduardo Arantes (0000-0002-8701-8742, corresponding author) |
| Year | 2021 |
| Publication date | 2021-07-21 |
| Open Access | Yes |
| Type | BOOK |
| Venue | Esquerda e direita no espelho das ONGs (SOURCE_BOOK) |
| Publisher | Editora do Autor (PUBLISHER) |
| DOI | 10.34024/9786500273182 |
| OpenAlex | W3192409856 |
| ISBN | 9786500273182 |
| Language | PT |
| Citations received | 15 |
Paulo Arantes problematiza neste conhecido artigo o léxico "dos direitos da cidadania" que tem sido utilizado por autoridades governamentais vinculadas à área social e por empresas - um sistema de simulacros, uma vez que enseja a mistura dos papéis e camufla os reais interesses dos segmentos sociais envolvidos, num jogo de "coisas trocadas". Exemplos do linguajar, oriundo de ONGs, são as expressões "sociedade civil", "espaços sociais", "compromisso" e "envolvimento" entre os "atores", conduzindo a uma "participação cidadã". Da órbita empresarial, provêm "vivência empresarial", "cumplicidade", "envolvimento com o seu entorno", "parceiros" e "interlocutores no mercado", "empresa cidadã". Esse léxico integra o corpo das políticas compensatórias recomendadas pelos patrocinadores da reestruturação econômica e social em curso, tendo o Banco Mundial à frente. Nesse arcabouço de mudanças, está incluída uma nova concepção do papel do Estado, com enxugamento de parcela específica de suas funções, principalmente aquela de executor das políticas sociais, engendradas sob a égide do keynesianismo. A concretização dessas políticas passa a ser delegada a "parceiros da sociedade civil", entidades sem fins lucrativos, contando com repasses de verbas públicas. (...) Advoga-se o lugar de um Terceiro Setor gerencialmente enxuto, um Estado parceiro-facilitador que deve "estrategicamente" se retirar assim que as organizações não governamentais "demonstrarem" a superioridade de suas vantagens comparativas, uma vitória sem muito esforço, já que não havia mais em campo com quem competir, salvo a sucata preparada para tal efeito demonstrativo. Quanto às empresas, Paulo identifica presentemente a existência de "um surto esquizofrênico, pois agem, mas sobretudo falam, dando a entender que no fundo são organizações sociais sem fins lucrativos", sem, de fato, perderem a veia comercial que lhes é intrínseca. As empresas capitalizam o trabalho "voluntário" que induzem seus empregados a fazer junto às "comunidades", transformando-o em vantagem competitiva, mediante a agregação da imagem de "empresa cidadã" aos produtos e/ou serviços que colocam no mercado. O fenômeno pode ser resumido pela utilização distorcida das palavras que denomina, utilizando expressão de Vera da Silva Telles, "espantoso deslizamento semântico", contextualizando-o e denunciando sua intenção de colocar o mundo "de ponta-cabeça", de enevoar a consciência, de confundir. Esse léxico cumpre, portanto, as funções da ideologia, procurando encobrir a desigualdade na distribuição da riqueza e do poder no interior da sociedade capitalista. (Da resenha de Maria Rosa Lombardi) Palavras-chave: ONG, reforma do Estado, empresa-cidadã, sociedade civil, terceiro setor, organizações sociais, Banco Mundial, parcerias, direitos da cidadania, marketing, público-alvo, lógica gerencial, empoderamento, privatização, linguagem, deslizamento semântico
Art · Humanities · Political science · Business and Management Studies · Social and Economic Solidarity · Social and Political Issues
O real panorama da polis
Atuação do psicólogo em organizações não governamentais na área da Educação
A nova pedagogia da hegemonia no Brasil
A crise socioambiental e a atuação de ONGs ambientalistas no campo educacional
Lutas urbanas por moradia
Entre o discurso e a construção da prática profissional do arquiteto e urbanista
A forma generalizada
Sujeitos e utopias nos movimentos antiglobalização
Lupa e telescópio
A formação dos sujeitos periféricos
Bobeou dançou
O discurso do protagonismo juvenil
A negociação cultural
Pode a periferia falar? Uma releitura crítica da produção cultural das periferias
O Lugar Das Organizações Não Governamentais No Entrecruzamento Entre as Noções De Desenvolvimento E Cooperação Internacional
| Unique citing works | 15 |
|---|---|
| Citations per year | 0,71 |
| Citation span | 2005 - 2023 (19) |
| Citation velocity | historical |
| Highly cited | No |
| Citation types | Neutral: 12 |