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A injustiça reprodutiva como dupla punição

Análise foucaultiana da obra "Prisioneiras" em cotejo com dados empíricos do sistema carcerário brasileiro

Bibliographic Data

ID5862843
AuthorsAna Carolina Campara Verdum (0000-0001-9265-4244), Eduarda Rodrigues De Almeida Porcino (0009-0009-9529-0437), Talita Gonçalves Medeiros (0000-0002-4871-7938)
Year2025
Volume21
Issue112
Publication date2025-01-31
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueDireito Público (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1806-8200 • E-ISSN: 2236-1766
PublisherInstituto Brasiliense de Direito Publico (PUBLISHER)
DOI10.11117/rdp.v21i112.7782
OpenAlexW4408364591
LanguagePT
References cited8

Esta pesquisa investiga como a implementação ou não de direitos sexuais e reprodutivos, além dos correlatos cuidados de saúde, no âmbito do sistema carcerário brasileiro se relaciona com o fortalecimento ou a fragilização do Estado Democrático de Direito. Empregam-se os métodos de revisão da literatura e pesquisa documental, cotejando, por meio de uma análise foucaultiana, o relato de um médico que atuou na Penitenciária Feminina da Capital (Varella, 2017) e os dados do sistema penitenciário brasileiro de 2023 (população, perfil, número de gestantes, lactantes, berçários, creches, filhos em estabelecimentos prisionais, consultas médicas e visitas). Como conclusões, com relação à gestação, amamentação e cuidados com filhos em estabelecimentos prisionais, há violações do direito à parentalidade em ambiente seguro e saudável. O direito à visita íntima não foi plenamente concretizado. A qualidade de consultas médicas internas é fragilizada por carências na estrutura dos estabelecimentos, ameaçando a saúde sexual e reprodutiva. A prevalência de infecção por HIV e sífilis sugere dificuldade na articulação entre justiça reprodutiva, interseccionalidade e doenças sexualmente transmissíveis, bem como desrespeito pelas necessidades únicas das mulheres face a essas doenças. A população carcerária feminina no Brasil em 2023 é formada, em grande parte, por mulheres negras, de baixa escolaridade e presas por crimes da lei de drogas, o que demonstra a seletividade penal e a necessidade de análise interseccional da política criminal e da justiça reprodutiva. Essas conclusões indicam violações à justiça reprodutiva e estas, por conseguinte, sugerem e intensificam a fragilização da democracia e do Estado de Direito. PALAVRAS-CHAVE: Justiça Reprodutiva; Sistema carcerário brasileiro; Mulheres privadas de liberdade

Art · Biology · Humanities · Demographic Trends and Gender Preferences · Gender, Sexuality, and Education · Reproductive Health and Technologies

  • Judicial Paternalism and the Female Status Offender

    Open Access•Meda Chesney-Lind, Meda Chesney‐lind•Crime & Delinquency•1977

  • Connecting Reproductive Rights, Democracy, and the Rule of Law

    Open Access•Atina Krajewska•German Law Journal•2021

  • Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP)

    Open Access•Tiago Rosa Nogueira, Maria Célia Delduque et al.•Tempus Actas de Saúde Coletiva•2023

  • Reproductive Justice Special Issue Introduction “Reproductive Justice

    Open Access•Asia A Eaton, D Stephens et al.•Journal of Social Issues•2020

  • From Rights to Justice

    Zakiya Luna•Societies Without Borders•2009

  • Relações de gênero como categoria transversal na historiografia contemporânea

    Open Access•Joana Maria Pedro•Topoi (Rio de Janeiro•2011

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Highly citedNo

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