O brincar das crianças e os discursos sobre o digital
Risco E Dispositivo Da Periculosidade
Bibliographic Data
| ID | 5866446 |
|---|---|
| Authors | Adilson Cristiano Habowski (0000-0002-5378-7981, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões), Cleber Gibbon Ratto (0000-0002-9059-728X, Universidade de La Salle (UNILASALLE), Brasil) |
| Year | 2025 |
| Volume | 41 |
| Publication date | 2025-01-01 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Educar em Revista (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0104-4060 • E-ISSN: 1984-0411 |
| Publisher | FapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER) |
| DOI | 10.1590/1984-0411.88739 |
| OpenAlex | W4412930473 |
| SciELO | S0104-40602025000100133 |
| Language | PT |
O artigo analisa como o dispositivo da periculosidade é mobilizado na produção de discursos educacionais que tematizam o brincar das crianças e as tecnologias digitais. Fundamentando-se na perspectiva genealógica foucaultiana, a investigação toma como corpus dissertações e teses defendidas em Programas de Pós-Graduação em Educação, problematizando os efeitos de verdade que se produzem nessas enunciações. O estudo mostra que tais produções discursivas operam uma infantilização da infância, sustentando a ideia de que o contato das crianças com dispositivos digitais compromete sua pureza, espontaneidade e desenvolvimento saudável. As tecnologias são recorrentemente representadas como ameaças intrínsecas à integridade física, emocional e moral das crianças, sendo associadas ao declínio da infância ou mesmo ao seu desaparecimento. O dispositivo da periculosidade atua, nesse contexto, como uma engrenagem de regulação que convoca práticas de gestão de risco e vigilância preventiva, instaurando uma racionalidade que interpela famílias, escolas e profissionais da saúde a intervirem sobre as condutas infantis. Conclui-se que o risco se configura como estrutura organizadora da experiência infantil na Modernidade Tardia, operando como estratégia de governamento das condutas, ao instaurar uma infância sujeitada por alertas, disciplinada por prescrições e mobilizada pelo medo. A criança que emerge desses discursos é aquela que deve ser constantemente protegida, corrigida e normalizada - não apenas contra os perigos do mundo, mas, sobretudo, contra os riscos que supostamente carrega em si mesma ao brincar com as tecnologias digitais
| Highly cited | No |
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