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O ilustre diálogo de Quinto Aurélio Símaco Eusébio com a tradição pagã e com homens públicos cristãos

Bibliographic Data

ID6167282
AuthorsJanira Feliciano Pohlmann (0000-0002-4204-2853, corresponding author)
Year2009
Volume1
Issue24/24
Publication date2009-12-30
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueRevista Vernáculo (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1677-0196 • E-ISSN: 2317-4021
PublisherUniversidade Federal do Parana (PUBLISHER • BR)
DOI10.5380/rv.v1i24/24.20865
OpenAlexW2022705167
LanguagePT

Nos seculos IV e V d.C., uma imensa quantidade de concilios formataram os dogmas e as ideologias da cristandade. Estas passaram, entao, a ser empregadas por Constantino I e por seus sucessores como um instrumento de unidade e de universalidade do poder do imperator. O fortalecimento da fe crista e, em especial, sua utilizacao politica pelo governante do imperium romanorum modificaram profundamente a sociedade tardoantiga. Ao estudar este contexto, algumas hipoteses podem ser sugeridas: a tradicao paga, tao arraigada a Antiguidade Classica e aos cidadaos romanos, foi constantemente adaptada por pensadores cristaos ate se tornar ideais convenientemente cristianizados; os defensores destas perspectivas religiosas (paganismo e Cristianismo) mantinham constante dialogo, o que propiciou a interacao entre suas ideias; este dialogo, por sua vez, tinha como principal objetivo a preservacao da aeternitas Romae. A polemica Cristianismo-paganismo era intensa desde os primeiros seculos de nossa era, especialmente a partir do final do seculo II, quando o pagao Celso foi o primeiro a considerar o rapido crescimento da nova doutrina como uma ameaca a estabilidade e a seguranca do imperium. Celso expos suas opinioes em um livro chamado O Logos Verdadeiro (Alethes Logos). O proposito do texto era opor-se a expansao do Cristianismo e persuadir os cristaos de que deveriam ser melhores cidadaos, para tanto, necessitavam seguir a tradicao romana da busca pelas virtudes e do respeito ao governante. Consideramos este momento (final do seculo II), como o inicio do dialogo do Cristianismo com o paganismo, visto que, os “Padres Apostolicos”, ate entao, escreviam apenas para seus correligionarios cristaos. Diante do ataque de Celso, os pensadores cristaos passaram a defender, pela primeira vez, a causa e a ideologia crista frente ao mundo dos pagaos. Antes da intervencao de Celso, o Cristianismo era considerado mais uma das seitas do imperium romanorum. Ao alertar sobre o perigo que esta nova seita representaria para a estabilidade romana, Celso fez com que inumeros representantes cristaos passassem a sustentar suas ideologias diante daquela sociedade. Deste modo, podemos estabelecer que o dialogo entre Cristianismo e paganismo iniciou-se, sim, movido por querelas. No entanto, esta situacao nao perdurou por todo o tempo, alternando momentos de discussoes calorosas entre pagaos e cristaos e periodos de comunicacao respeitosa e com objetivos comuns. Posto o debate, de um lado, pagaos defendiam que o apogeu do imperium Romae se devia aos deuses do paganismo. Do outro lado, cristaos acreditavam que estes antigos deuses eram, sim, responsaveis pela decadencia deste imperium, por isso, o mais justo seria abandonar as falsas divindades e obedecer ao verdadeiro Deus (o cristao

Art · Humanities · Religion and Society in Latin America

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