Tiradentes em Mont-Pèlerin
Neoliberalismo e memória da Inconfidência Mineira
Bibliographic Data
| ID | 7282754 |
|---|---|
| Authors | Gustavo De Castro Belém (0000-0002-7938-7708, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, corresponding author) |
| Year | 2021 |
| Volume | 10 |
| Issue | 1 |
| Pages | 273-298 |
| Publication date | 2021-06-01 |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Epígrafe (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 2318-8855 • E-ISSN: 2318-8855 |
| Publisher | University of São Paulo (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.11606/issn.2318-8855.v10i1p273-298 |
| OpenAlex | W3168525220 |
| Language | EN |
| References cited | 1 |
A Inconfidência Mineira de 1788-1789 ocupa um espaço significativo na memória coletiva nacional, e, como tal, está sujeita a apropriações por parte de toda sorte de agentes políticos de cada época. O neoliberalismo do século XXI não constituem exceção à regra. Assim, examinamos a mitologia inconfidente presente nas versões da sedição apresentadas por neoliberais, contrastando-a com as ideias de justiça tributária e liberdade próprias aos conspiradores setecentistas. Para tal, analisamos duas publicações do Partido Novo no Twitter e uma coluna de opinião na Folha de São Paulo. A narrativa da conspiração que se pode extrair dessas fontes é comparada à historiografia de referência sobre as Minas, especialmente Furtado (2002). Observamos que a reinterpretação neoliberal, anacrônica, projeta o antifiscalismo do presente no passado: é como se os inconfidentes considerassem opressiva a exigência do quinto régio e cogitassem o levante com o solitário intuito de aboli-lo. Perspectiva que deixa de reconhecer a Inconfidência como um movimento de caráter heterogêneo e ambíguo, marcado por visões díspares e igualmente tributário das Luzes e do Antigo Regime. Os sediciosos jamais estabeleceram os contornos de uma política fiscal, afinal. Ao mesmo tempo, a historiografia de referência demonstra que a quintagem do ouro correspondia ao que os mineiros consideravam como justo exercício das prerrogativas fiscais por parte da metrópole, assim como também não desejavam extinguir a referida taxa. Sua relação com a tributação não corresponde à transposição do antifiscalismo neoliberal do século XXI para o passado, mas, ao contrário, deve ser entendida em sua própria historicidade
Art · Humanities · Physics · Brazilian History and Foreign Policy · Philosophy · Urban and sociocultural dynamics · Urban Development and Societal Issues
| Highly cited | No |
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