Nas Tramas Do Crack
Etnografia Da Abjeção De Taniele Rui
Bibliographic Data
| ID | 7424693 |
|---|---|
| Authors | Aline Ramos Barbosa (0000-0003-3038-8184, Universidade Estadual Paulista (Unesp), corresponding author) |
| Year | 2016 |
| Volume | 28 |
| Issue | 75 |
| Publication date | 2016-07-19 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Caderno CRH (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0103-4979 • E-ISSN: 1983-8239 |
| Publisher | Universidade Federal da Bahia (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.9771/ccrh.v28i75.19751 |
| OpenAlex | W4300144722 |
| SCIELO_PID | S0103-49792015000300675 |
| Language | EN |
| Citations received | 1 |
De uma forma radical, expressa numa maneira crua de definicao da citacao acima, a caracteristica da abjecao e tomada como o ma-ximo da alteridade, aquela que nao reconhece humanidade no outro. Diante da construcao de uma corporalidade abjeta, Taniele Rui nos mostra a importância de estudar a figura do noia, para que possamos entender as tramas do crack na contemporaneidade. A questao principal de seu livro, portanto, diz respeito a compreender melhor as tramas do crack e as populacoes associadas ao seu uso abusivo, consideradas excluidas. Ao contrario do que normalmente e argumentado – especialmente no senso comum e em materias da grande mi -dia – o local de consumo de crack se caracteri -za pela presenca excessiva do Estado.Esta e uma grande contribuicao de Ta-niele Rui: se, por muito tempo, pessoas nessas situacoes foram consideradas excluidas, este livro se junta a outras producoes recentes na tematica urbana, que colocam em xeque uma concepcao do social por vezes simplificada. Entre estes grupos que estao nas margens do Estado, ha dinâmicas internas para-alem das analises pela negacao. Ha muito mais o que se falar, alem da falta de outras coisas. Ha a ges-tao de corpos produzidas individual ou coleti-vamente, mas de maneira interna ao grupo. Ha as preocupacoes com Saude Publica e todo o debate que isto suscita, como o embate sobre reducao de danos e abstencao em Comunida-des Terapeuticas. Ha, tambem, o contexto de combate as drogas e o debate maior sobre le-galizacao ou nao de algumas substâncias. Ha o problema que, a cada dia mais, se torna preo-cupacao da Seguranca Publica e objeto de po-liticas publicas de acao mais global, como com o “Programa Crack – e preciso vencer”. O livro, entao, esta organizado em tres partes: I) Antropologia, saude e politica; II) Fronteiras, espacos e usos do crack e III) Pes-soas, substâncias, corpos e coisas. Na primeira parte, a autora faz uma discussao sobre saude e abordagens da antropologia, que envolvem o conhecimento da reducao de danos ou pro-gramas de abstinencia e escolhas politicas, tomadas pela ONG que ela acompanha em seu trabalho de campo. Na segunda, ha uma descricao mais precisa dos espacos de uso de crack que a antropologa acompanhou, seja a cracolândia paulistana, a linha do trem ou um predio abandonado em Campinas, que susci-tam varias reflexoes acerca de moralidades, seguranca, impacto das politicas publicas e repercussao na midia. Por ultimo, na terceira parte, temos a reflexao sobre pessoas, substân-cias, corpos e coisas, parte em que fica evidente a importância e a humanizacao do cachimbo e a desumanizacao do noia, alem de apresentar reflexoes sobre as trocas das coisas, que nem sempre obedecem a logica comum capitalista.Sendo assim, a definicao de pessoas e coisas, tao trivial no nosso cotidiano, se torna borrada no cenario de uso abusivo do crack e em todas as relacoes que estas praticas ense-jam, sejam elas com traficantes ou com os re-dutores de danos. A corporalidade do noia o coloca numa condicao de desumanizacao e o transforma em “coisa”. O prestigio dos cachim-bos pessoais e tao elevado que os transformam em pessoas com nomes proprios. Por delimitar os contornos do certo – e
Urban and sociocultural dynamics · Urban Development and Societal Issues · Youth, Drugs, and Violence
| Unique citing works | 1 |
|---|---|
| Citations per year | 0,09 |
| Citation span | 2015 - 2015 (1) |
| Citation velocity | historical |
| Highly cited | No |