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O Visitante Revisitado

Um caso adulterado de patriarcalismo num romance de Osman Lins

Bibliographic Data

ID9861429
AuthorsAna Luiza Andrade (0000-0002-4925-6715), Ana Luiza Mello Santiago De Andrade (0000-0001-7735-5385, corresponding author)
Year1985
Volume68
Issue4
Pages695
Publication date1985-12-01
Open AccessNo
TypeARTICLE
VenueHispania (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 0018-2133 • E-ISSN: 2153-6414
PublisherJSTOR (PUBLISHER)
DOI10.2307/341969
OpenAlexW1997366896
LanguageEN

U m dos temas principais da ficCao multifacetada do escritor brasileiro Osman Lins (1924-1978) focaliza a fungao liberalizante da literatura, do escritor e do leitor, numa sociedade em transformagCo. Unindo influencias dispares de escritores como Machado de Assis, Borges e Cortizar, Lins inscreve-se num tipo de escritura contemporanea que 6 ao mesmo tempo critica e criativa: sua leitura critica desses escritores permite com que crie uma ficgao uinica em que convida o leitor a participar de seu processo de elaboragao. Rejeitando um mundo de consumo que exige a aceitagdo passiva do pfiblico, a alternativa literriia de Lins leva-o a privilegiar sua relaCgo com a obra e a relagao entre o escritor e os mecanismos de produCao literaria. Dentro de temitica da produCao literaria destaca-se uma metifora osmaniana tipica para captar as rela?6es entre escritor e escritura: o diilogo de amantes. Em Guerra Sem Testemunhas (1969), ensaio romanesco sobre a condigao social do escritor contemporaneo, hai uma alusao a este diailogo' que se concretiza num ato de renovagao a causa literhria em forma de um juramento de novo amor. Pode-se inclusive dizer que, nos romances de Osman Lins, esse diilogo de amantes apresenta-se como uma metifora constante, iniciando-se com O Visitante (1955), onde um caso de adult6rio serve de alegoria para as relag6es entre o autor e o romance. Esta alegoria rompe com a tradigao realista do narrador onisciente, mostrando-se como uma convengao literahria de uma escritura patriarcal prevalente que se evidencia ia medida em que o leitor se dai conta de que estai sendo manipulado por um jogo narrativo em que a onisci6ncia se liga ia autoridade textual. Em O Fiel e a Pedra (1961) o mesmo rompimento com a tradigao realista vai ser tratado, desta vez na relagao de equilibrio entre os dois personagens principais. Enquanto a profissao de moleiro do protagonista exige um amestramento manual de construCao semelhante ao do escritor, sua contraparte feminina 6 moldada por ele, cumprindo a sua fungao de escritura. Na fase de plenitude de Osman Lins, o diilogo de amantes declarase como metifora da mat6ria romanesca, produzindo-se em Avalovara (1973) no ato simultaneo sexual/textual. Seu tiltimo romance, A Rainha dos Carceres da Gricia (1977) e o ensaio de um professor sobre o romance de uma mulher. Os comenthrios desse professoramante-da-autora-do-romance-que-comenta, se identificam a tal ponto ao romance da amada que o professor termina por integrar-se a ele, como seu personagem

Art · Humanities · Cultural, Media, and Literary Studies · Literature, Culture, and Criticism

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