R B W Pires
Datos Biográficos
| ID | 32131 |
|---|---|
| NOMBRE | R B W Pires |
| NOMBRES | R B W |
| APELLIDO | Pires |
| FIRMA | PIRES R B W |
| AFILIACIONES | Universidade Federal de Minas Gerais |
| ORCID | 0000-0002-0778-7577 |
| VERIFICADO | Sí |
| TOTAL DE OBRAS | 18 |
| TOTAL DE CITAS | 27 |
| TOTAL COMO AUTOR | 18 |
| TOTAL COMO EDITOR | 0 |
| PRIMER AÑO DE PUBLICACIÓN | 2011 |
| AÑO MÁS RECIENTE DE PUBLICACIÓN | 2026 |
| ÍNDICE H | 4 |
Transversal multiverses
A igreja e o obia
Há uma minoria cristã entre os Saamaka, povo afro-amazônico businenge (ou quilombola) do Suriname. Eles colocam em prática atualizações móveis tanto da tradição cristã quanto da tradição businenge. Este artigo é sobre formas e momentos considerados apropriados para colocar elementos em evidência. Dialogarei com literaturas sobre sincretismo e conversão, rumo à ideia de que o modo como cada coletivo compõe seus mundos pode ser lido em uma chave ét…
Da ontologia da fenomenologia na antropologia
Universos estrangeiros
O artigo "Estrangeiros universais", de Filipe Verde, apresenta uma crtica ao que chama de "viragem ontolgica" na antropologia, tomando o livro The Ontological Turn, de Holbraad e Pedersen (2017), como ponto de partida (2025a: 252). 1 O autor mobiliza argumentos interessantes advindos da filosofia pragmtica, da hermenutica e da fenomenologia, na tentativa de demonstrar as insuficincias da virada ontolgica (doravante OT). 2 Porm, no oferece dilogo …
Vulnerabilidades compartilhadas
Os afro-amazônicos saamaka, do Suriname, falam sobre diversos modos de agência dos mortos. Dentre elas, os kunu, espíritos vingativos que operam matrilateralmente; e os neseki, padrinhos espirituais que amiúde operam patrilateralmente. De certo modo, ambos podem aproximar pessoas que compartilham vulnerabilidades: ser vítima potencial dos mesmos kunu é o que faz das pessoas membros de suas matrilinhagens; possuir o mesmo neseki significa ser afet…
O Caixão do Líder
Ensaio fotográfico sobre o enterro de Belfon Aboikoni, líder supremo do povo Saamaka, em 2014
Apresentação ao dossiê
Para pessoas formadas dentro de uma tradição disciplinar local que privilegia - por variados motivos - pesquisas realizadas dentro das fronteiras nacionais, o desejo e a oportunidade de realizar trabalho de campo em outro país apresentam alguns desafios.[1] Para começar, surgem questões sobre como começar a mergulhar na bibliografia regional, e com quem dialogar, dada a escassez de especialistas em nossas universidades. Pesquisar um outro país, p…
Funerals, Rhetorics, Rules and Rulers in Upper Suriname
Life in a Saamaka village is surrounded by rules, from trivial activities such as harvesting fruits to the most formal of public meetings, everything has to be done in the right way, “the way we are used to”. However, these rules seem to be constantly under discussion, there are frequent arguments about which are the rules and how to apply them to each situation. This chapter takes a look at Saamaka politics, trying to understand how deadlocks co…
The Bakru Speaks
Throughout the Guianas, people of all ethnicities fear one particular kind of demonic spirit. Called baccoo in Guyana, bakru in coastal Suriname, and bakulu or bakuu among Saamaka and Ndyuka Maroons in the interior, these demons offer personal wealth in exchange for human life. Based on multisited ethnography in Guyana and Suriname, this paper analyzes converging and diverging conceptions of the "same" spirit among several Afro- and Indo-Guianese…
Da excitação à multiplicação
Tomando como corpus de análise a revista sadomasoquista e fetichista norte-americana Bizarre, editada entre 1946 e 1959 por John Willie, o presente artigo busca refletir sobre a relação entre o conteúdo da publicação e seus leitores, evidenciada sobretudo nas páginas de suas seções de correspondência. Após uma breve apresentação das práticas e da rede agrupada sob a sigla BDSM, buscaremos, nas páginas de Bizarre, diferentes modulações de agência …
Futuros que seguem
Conecto uma questão derivada da etnografia businenge a conceitos acerca da pós-colônia. Na língua saamaka, as principais catacreses que pareiam espaço e tempo colocam o futuro atrás e o passado na frente, porém, ao se referirem ao progresso, as figuras que utilizam são invertidas. Analiso tal duplicidade pensando o emaranhamento de temporalidades da época pós-colonial e a ideia de tradição como terreno de dissonância política e de construção ativ…
Aquele evento, esta memória
Neste artigo de 1991, David Scott analisa importantes marcos da antropologia estadunidense acerca dos povos de ascendência africana no Novo Mundo: o trabalho de Melville Herskovits, nos anos 1920 a 1940, e o de Richard Price, nos anos 1970 e 1980 - dando ênfase às pesquisas de ambos entre os Saamaka do Suriname, que figuram como "uma espécie de metonímia antropológica" nas discussões sobre a diáspora africana nas Américas. Scott buscará compreend…
Trouillot, o Caribe e a antropologia
Neste texto, Michel-Rolph Trouillot (1949-2012) procede a uma revisão bibliográfica crítica da produção caribeanista, focando, sobretudo, em trabalhos publicados em língua inglesa entre meados da década de 1970 e 1992. O ensaio se organiza em torno de três grandes temas e suas ramificações: heterogeneidade, historicidade e articulação, este último relativo à natureza e aos limites das unidades de observação ou de análise. No artigo, Trouillot tra…
Dinheiro, Tecidos, Rum E a Estética Do Eclipsamento Em Saamaka
O artigo trata dos businenge (maroons, quilombolas) saamaka do Alto Suriname. Parto de um tema clássico da antropologia - a separação nem sempre clara entre dádivas e mercadorias - e um aspecto particular da vida econômica nesta localidade - a rejeição do uso de dinheiro em determinadas esferas de circulação de objetos, serviços e palavras - como problemas. A ideia é compreender os motivos pelos quais, mesmo num contexto econômico crescentemente …
PRICE, Richard. 2013. Fesiten. La Roque-d'Anthéron
Fetichismo religioso, fetichismo da mercadoria, fetichismo sexual
Os conceitos de fetichismo sexual e fetichismo da mercadoria são tortuosas transformações de um conceito anterior: fetichismo religioso. Este artigo foca tal transposição conceitual, tentando entender qual seu impacto sobre o conceito anterior. Busca também traçar conexões entre os fetichismos e examinar usos variados da(s) ideia(s) de fetiche no século xx. Daremos importância à continuidade entre a denúncia iluminista da 'ilusão religiosa' e cer…
Fetische und ungerade Dualismen
Pequena história da ideia de fetiche religioso
A ideia de fetiche religioso, fruto do encontro afro-europeu na costa da Guiné há cerca de quatro séculos percorreu um longo caminho, desde seu uso por viajantes e comerciantes, passando pela sua apropriação pela filosofia iluminista, sua radicalização e popularização no positivismo e no evolucionismo, até ser criticada, entrar em declínio e ser considerada estéril pela antropologia modernista. O objetivo deste artigo é lançar uma luz sobre tal t…
Pequena história da ideia de fetiche religioso
A ideia de fetiche religioso, fruto do encontro afro-europeu na costa da Guiné há cerca de quatro séculos percorreu um longo caminho, desde seu uso por viajantes e comerciantes, passando pela sua apropriação pela filosofia iluminista, sua radicalização e popularização no positivismo e no evolucionismo, até ser criticada, entrar em declínio e ser considerada estéril pela antropologia modernista. O objetivo deste artigo é lançar uma luz sobre tal t…
The Bakru Speaks
Throughout the Guianas, people of all ethnicities fear one particular kind of demonic spirit. Called baccoo in Guyana, bakru in coastal Suriname, and bakulu or bakuu among Saamaka and Ndyuka Maroons in the interior, these demons offer personal wealth in exchange for human life. Based on multisited ethnography in Guyana and Suriname, this paper analyzes converging and diverging conceptions of the "same" spirit among several Afro- and Indo-Guianese…
Aquele evento, esta memória
Neste artigo de 1991, David Scott analisa importantes marcos da antropologia estadunidense acerca dos povos de ascendência africana no Novo Mundo: o trabalho de Melville Herskovits, nos anos 1920 a 1940, e o de Richard Price, nos anos 1970 e 1980 - dando ênfase às pesquisas de ambos entre os Saamaka do Suriname, que figuram como "uma espécie de metonímia antropológica" nas discussões sobre a diáspora africana nas Américas. Scott buscará compreend…
Trouillot, o Caribe e a antropologia
Neste texto, Michel-Rolph Trouillot (1949-2012) procede a uma revisão bibliográfica crítica da produção caribeanista, focando, sobretudo, em trabalhos publicados em língua inglesa entre meados da década de 1970 e 1992. O ensaio se organiza em torno de três grandes temas e suas ramificações: heterogeneidade, historicidade e articulação, este último relativo à natureza e aos limites das unidades de observação ou de análise. No artigo, Trouillot tra…
Dinheiro, Tecidos, Rum E a Estética Do Eclipsamento Em Saamaka
O artigo trata dos businenge (maroons, quilombolas) saamaka do Alto Suriname. Parto de um tema clássico da antropologia - a separação nem sempre clara entre dádivas e mercadorias - e um aspecto particular da vida econômica nesta localidade - a rejeição do uso de dinheiro em determinadas esferas de circulação de objetos, serviços e palavras - como problemas. A ideia é compreender os motivos pelos quais, mesmo num contexto econômico crescentemente …
Fetichismo religioso, fetichismo da mercadoria, fetichismo sexual
Os conceitos de fetichismo sexual e fetichismo da mercadoria são tortuosas transformações de um conceito anterior: fetichismo religioso. Este artigo foca tal transposição conceitual, tentando entender qual seu impacto sobre o conceito anterior. Busca também traçar conexões entre os fetichismos e examinar usos variados da(s) ideia(s) de fetiche no século xx. Daremos importância à continuidade entre a denúncia iluminista da 'ilusão religiosa' e cer…
A igreja e o obia
Há uma minoria cristã entre os Saamaka, povo afro-amazônico businenge (ou quilombola) do Suriname. Eles colocam em prática atualizações móveis tanto da tradição cristã quanto da tradição businenge. Este artigo é sobre formas e momentos considerados apropriados para colocar elementos em evidência. Dialogarei com literaturas sobre sincretismo e conversão, rumo à ideia de que o modo como cada coletivo compõe seus mundos pode ser lido em uma chave ét…
Vulnerabilidades compartilhadas
Os afro-amazônicos saamaka, do Suriname, falam sobre diversos modos de agência dos mortos. Dentre elas, os kunu, espíritos vingativos que operam matrilateralmente; e os neseki, padrinhos espirituais que amiúde operam patrilateralmente. De certo modo, ambos podem aproximar pessoas que compartilham vulnerabilidades: ser vítima potencial dos mesmos kunu é o que faz das pessoas membros de suas matrilinhagens; possuir o mesmo neseki significa ser afet…
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Tomando como corpus de análise a revista sadomasoquista e fetichista norte-americana Bizarre, editada entre 1946 e 1959 por John Willie, o presente artigo busca refletir sobre a relação entre o conteúdo da publicação e seus leitores, evidenciada sobretudo nas páginas de suas seções de correspondência. Após uma breve apresentação das práticas e da rede agrupada sob a sigla BDSM, buscaremos, nas páginas de Bizarre, diferentes modulações de agência …
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Pequena história da ideia de fetiche religioso
A ideia de fetiche religioso, fruto do encontro afro-europeu na costa da Guiné há cerca de quatro séculos percorreu um longo caminho, desde seu uso por viajantes e comerciantes, passando pela sua apropriação pela filosofia iluminista, sua radicalização e popularização no positivismo e no evolucionismo, até ser criticada, entrar em declínio e ser considerada estéril pela antropologia modernista. O objetivo deste artigo é lançar uma luz sobre tal t…
Fetichismo religioso, fetichismo da mercadoria, fetichismo sexual
Os conceitos de fetichismo sexual e fetichismo da mercadoria são tortuosas transformações de um conceito anterior: fetichismo religioso. Este artigo foca tal transposição conceitual, tentando entender qual seu impacto sobre o conceito anterior. Busca também traçar conexões entre os fetichismos e examinar usos variados da(s) ideia(s) de fetiche no século xx. Daremos importância à continuidade entre a denúncia iluminista da 'ilusão religiosa' e cer…
PRICE, Richard. 2013. Fesiten. La Roque-d'Anthéron
Dinheiro, Tecidos, Rum E a Estética Do Eclipsamento Em Saamaka
O artigo trata dos businenge (maroons, quilombolas) saamaka do Alto Suriname. Parto de um tema clássico da antropologia - a separação nem sempre clara entre dádivas e mercadorias - e um aspecto particular da vida econômica nesta localidade - a rejeição do uso de dinheiro em determinadas esferas de circulação de objetos, serviços e palavras - como problemas. A ideia é compreender os motivos pelos quais, mesmo num contexto econômico crescentemente …
Funerals, Rhetorics, Rules and Rulers in Upper Suriname
Life in a Saamaka village is surrounded by rules, from trivial activities such as harvesting fruits to the most formal of public meetings, everything has to be done in the right way, “the way we are used to”. However, these rules seem to be constantly under discussion, there are frequent arguments about which are the rules and how to apply them to each situation. This chapter takes a look at Saamaka politics, trying to understand how deadlocks co…
The Bakru Speaks
Throughout the Guianas, people of all ethnicities fear one particular kind of demonic spirit. Called baccoo in Guyana, bakru in coastal Suriname, and bakulu or bakuu among Saamaka and Ndyuka Maroons in the interior, these demons offer personal wealth in exchange for human life. Based on multisited ethnography in Guyana and Suriname, this paper analyzes converging and diverging conceptions of the "same" spirit among several Afro- and Indo-Guianese…
Da excitação à multiplicação
Tomando como corpus de análise a revista sadomasoquista e fetichista norte-americana Bizarre, editada entre 1946 e 1959 por John Willie, o presente artigo busca refletir sobre a relação entre o conteúdo da publicação e seus leitores, evidenciada sobretudo nas páginas de suas seções de correspondência. Após uma breve apresentação das práticas e da rede agrupada sob a sigla BDSM, buscaremos, nas páginas de Bizarre, diferentes modulações de agência …
Futuros que seguem
Conecto uma questão derivada da etnografia businenge a conceitos acerca da pós-colônia. Na língua saamaka, as principais catacreses que pareiam espaço e tempo colocam o futuro atrás e o passado na frente, porém, ao se referirem ao progresso, as figuras que utilizam são invertidas. Analiso tal duplicidade pensando o emaranhamento de temporalidades da época pós-colonial e a ideia de tradição como terreno de dissonância política e de construção ativ…
Aquele evento, esta memória
Neste artigo de 1991, David Scott analisa importantes marcos da antropologia estadunidense acerca dos povos de ascendência africana no Novo Mundo: o trabalho de Melville Herskovits, nos anos 1920 a 1940, e o de Richard Price, nos anos 1970 e 1980 - dando ênfase às pesquisas de ambos entre os Saamaka do Suriname, que figuram como "uma espécie de metonímia antropológica" nas discussões sobre a diáspora africana nas Américas. Scott buscará compreend…
Trouillot, o Caribe e a antropologia
Neste texto, Michel-Rolph Trouillot (1949-2012) procede a uma revisão bibliográfica crítica da produção caribeanista, focando, sobretudo, em trabalhos publicados em língua inglesa entre meados da década de 1970 e 1992. O ensaio se organiza em torno de três grandes temas e suas ramificações: heterogeneidade, historicidade e articulação, este último relativo à natureza e aos limites das unidades de observação ou de análise. No artigo, Trouillot tra…
Apresentação ao dossiê
Para pessoas formadas dentro de uma tradição disciplinar local que privilegia - por variados motivos - pesquisas realizadas dentro das fronteiras nacionais, o desejo e a oportunidade de realizar trabalho de campo em outro país apresentam alguns desafios.[1] Para começar, surgem questões sobre como começar a mergulhar na bibliografia regional, e com quem dialogar, dada a escassez de especialistas em nossas universidades. Pesquisar um outro país, p…
O Caixão do Líder
Ensaio fotográfico sobre o enterro de Belfon Aboikoni, líder supremo do povo Saamaka, em 2014
Vulnerabilidades compartilhadas
Os afro-amazônicos saamaka, do Suriname, falam sobre diversos modos de agência dos mortos. Dentre elas, os kunu, espíritos vingativos que operam matrilateralmente; e os neseki, padrinhos espirituais que amiúde operam patrilateralmente. De certo modo, ambos podem aproximar pessoas que compartilham vulnerabilidades: ser vítima potencial dos mesmos kunu é o que faz das pessoas membros de suas matrilinhagens; possuir o mesmo neseki significa ser afet…
A igreja e o obia
Há uma minoria cristã entre os Saamaka, povo afro-amazônico businenge (ou quilombola) do Suriname. Eles colocam em prática atualizações móveis tanto da tradição cristã quanto da tradição businenge. Este artigo é sobre formas e momentos considerados apropriados para colocar elementos em evidência. Dialogarei com literaturas sobre sincretismo e conversão, rumo à ideia de que o modo como cada coletivo compõe seus mundos pode ser lido em uma chave ét…
Da ontologia da fenomenologia na antropologia
Universos estrangeiros
O artigo "Estrangeiros universais", de Filipe Verde, apresenta uma crtica ao que chama de "viragem ontolgica" na antropologia, tomando o livro The Ontological Turn, de Holbraad e Pedersen (2017), como ponto de partida (2025a: 252). 1 O autor mobiliza argumentos interessantes advindos da filosofia pragmtica, da hermenutica e da fenomenologia, na tentativa de demonstrar as insuficincias da virada ontolgica (doravante OT). 2 Porm, no oferece dilogo …
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