Crise, Etnografia E Profecia
Bibliographic Data
| ID | 20183802 |
|---|---|
| Authors | Ramon Sarró (0000-0003-1866-2662, United Nations Industrial Development Organization, corresponding author) |
| Year | 2022 |
| Volume | 26 (3) |
| Pages | 855-869 |
| Publication date | 2022-01-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Etnografica (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 0873-6561 • E-ISSN: 2182-2891 |
| Publisher | OpenEdition (PUBLISHER) |
| DOI | 10.4000/etnografica.12559 |
| OpenAlex | W4308004761 |
| Language | EN |
| References cited | 17 |
Nesta palestra Jorge Dias 2021 pretendo fornecer uma dimensão genealógica e diacrónica às formas como a antropologia, a crise e as noções de permanência e anacronia foram tecidas desde os primeiros tempos do nosso método etnográfico há agora 100 anos. Começo por comentar a conhecida simultaneidade do nascimento da etnografia britânica (Malinowski 1922; Radcliffe-Brown 1922) e o sentido de crise europeia expressa nesses anos não só por filósofos, teólogos e pensadores, mas também por poetas e artistas, e mais paradoxalmente por T. S. Eliot no seu longo poema The Waste Land (Eliot 1922). Quero também salientar que a emergência do método científico na antropologia foi acompanhada por um grande silêncio epistemológico que nos obrigou, por exemplo, a não ouvir a “voz da profecia” (Ardener 1989) que, tal como a voz da poesia, atua como um diagnóstico e rebelião contra as crises impostas, externa ou internamente, à cultura. Este silêncio dificultou aos antropólogos a perceção dos enredos entre rutura e continuidade, e entre o “princípio da copresença” histórico e o “princípio da sucessão” (Rancière 1996). A crítica de Rancière a Febvre é assim utilizada para compreender a razão pela qual a antropologia tem sido relutante em compreender a força da diferença (rebelião, profecia, inovação) nos oceanos de semelhança. Termino argumentando que, 100 anos após o nascimento da disciplina, encontramo-nos hoje numa situação semelhante à de 1922. Tal como então, vivemos na waste land, numa ruína aparentemente interminável e totalmente globalizada. Mas também agora, como em 1921, viver entre ruínas desencadeia imaginações sobre permanência, sobre passados, sobre história, sobre “cultura”, e permite que o princípio da copresença tenha precedência sobre o princípio da sucessão
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| Citation velocity | historical |
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| Highly cited | No |