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O “Português Fluente” do Porta dos Fundos

Do equívoco da fala baseada na escrita padrão ao preconceito linguístico

Bibliographic Data

ID21712905
AuthorsAntonio Ismael Lopes de Sousa (0000-0002-6550-3931), Maria Da Guia Taveiro Silva (0000-0002-6520-1845), Mahalla Stephany Feitosa Aguiar (0000-0002-4946-7379), Gisélia Brito dos Santos (0000-0002-2479-4736)
Year2022
Volume23
Issue2
Pages202-222
Publication date2022-12-28
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueA Cor das Letras (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1415-8973 • E-ISSN: 2594-9675
PublisherUniversidade Estadual de Feira de Santana (PUBLISHER • BR)
DOI10.13102/cl.v23i1.5618
LanguagePT

Este trabalho tem por objetivo analisar os aspectos sociolinguísticos presentes nos diálogos do vídeo "Português Fluente. A partir da tese amplamente defendida pela Sociolinguística de que todo falante nativo é plenamente capaz de se comunicar em sua própria língua, aponta-se alguns fatores que contribuem para a manutenção do mito de que há línguas superiores e inferiores, mais sofisticadas e menos sofisticadas, mais coerentes e menos coerentes. Sob a ótica das variedades linguísticas, foi possível notar que aspectos culturais e socioeconômicos influenciam o modo como fala cada pessoa, fato que configura os linguajares como diferentes e não como “errados”, conforme apregoado por Soares (2017), Rocha (2007), Possenti (1996), Bagno (2007), Bortoni-Ricardo (2004), Calvet (2002), Labov (2008), entre outros. Observa-se também que o conceito de “erro” em língua materna tem relação com as diferentes classes sociais e que a supervalorização do modo como falam as classes economicamente privilegiadas gera preconceitos linguísticos e outras consequências negativas em detrimento das classes mais oprimidas. Esta análise tem como base os estudos de pesquisadores da área de Sociolinguística, especialmente os que se referem aos aspectos que envolvem a Língua Portuguesa, variações e variedades linguísticas, noções de hierarquia da norma padrão gramatical e diferença linguística, bem como à ideia de classe social e de preconceito linguístico. Entende-se que a consciência sobre sociolinguística contribui para a redução de mitos que assolam as classes desfavorecidas (como no caso do silenciamento abordado por Ferrarezi Jr., 2014, e do preconceito linguístico, tratado por Bagno, 2007), e colabora para uma comunicação mais fluida entre as pessoas, potencializando o exercício da cidadania e, de certa forma, aumentando as possibilidades de redução das desigualdades sociais. Palavras-chave: Norma Padrão. Hierarquia. Variedades linguísticas. Preconceito linguístico

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