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A memória como promotora de interculturalidade em Maputo, através da preservação da estatuária colonial

Bibliographic Data

ID3121192
AuthorsVítor De Sousa (0000-0002-6051-0980, University of Minho, corresponding author)
Year2019
Pages249-267
Publication date2019-05-28
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueComunicação e Sociedade (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1645-2089 • E-ISSN: 2183-3575
PublisherUniversity of Minho (PUBLISHER • PT)
DOI10.17231/comsoc.0(2019).3072
OpenAlexW2947689843
LanguagePT
References cited8

Por não se tratar de um assunto encerrado, onde a força das ideologias e dos reusos poderá alterar profundamente, ou até inverter, os modos da sua evocação, o passado colonial pode revelar-se problemático (Vecchi, 2018a). É o caso do colonialismo português que, de forma recorrente é invocado para sublinhar ressentimentos: quer do país que foi colonizado, quer do país colonizador (Ferro, 2009). Moçambique, logo que eclodiu em Portugal a Revolução do 25 de Abril de 1974, promoveu o apagamento dos símbolos do colonialismo. A previsível atitude, tendente a mostrar que a colonização tinha acabado veio, depois, a ser corrigida pelos futuros Governos, com as estátuas coloniais (pelo menos as que restaram), a serem deslocalizadas, onde passaram a poder ser observadas e contextualizadas. Tratou-se de uma ação com vista à preservação da memória, que pode permitir o desenvolvimento de dinâmicas interculturais, esbatendo o referido ressentimento: promovendo a problematização para perceber determinadas lógicas e, ao mesmo tempo, preencher vazios na memória esquecida e na identidade dos moçambicanos (Khan, Falconi & Krakowska, 2016). Este artigo referencia os casos relativos à nova vida de duas estátuas coloniais em Maputo - a de Mouzinho de Albuquerque e a de Salazar -, em tempo pós-colonial, e à permanência, até hoje, daquele que foi o primeiro vestígio monumental do Estado Novo (o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial), observando a importância que tem a preservação da memória na vida de um país, ou de uma nação, mesmo estando associada ao antigo colonizador. Esta espécie de descolonização mental (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), passa pela problematização da forma como o passado colonial pesa nas relações interculturais nos dias de hoje em Moçambique, quando o país se relaciona com o antigo colonizador, permitindo que os seus habitantes olhem para o passado como forma de construir dinâmicas de futuro

Art · Humanities · Migration, Racism, and Human Rights

  • Descolonitzar la ment

    Blanca Busquets, Ngũgĩ Wa Thiongʼo•Descolonitzar la ment•2017

  • Communicative and Cultural Memory

    Jan Assmann•Cultural memory studies•2008

  • The past as it lives now

    Open Access•Benoît De L’estoile, Benoît De L'Estoile•Social Anthropology•2008

  • Interwoven migration narratives

    Lilia Abadia, Lília Rolim Abadia et al.•Identities•2018

  • Imagined communities

    Benedict Anderson•Imagined communities•1991

  • A Past that Will Not Go Away. The Colonial War in Portuguese Postmemory

    António Sousa Ribeiro, Margarida Calafate Ribeiro•Lusotopie•2018

  • Between Memory and History

    Pierre Nora•Representations•1989

Citation velocityhistorical
Highly citedNo

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