Ausências, objetos e sujeitos periféricos no documentário brasileiro contemporâneo
Bibliographic Data
| ID | 3766959 |
|---|---|
| Authors | Daniel Velasco Leão, Dimitria Leão (0000-0001-9957-6779, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, corresponding author) |
| Year | 2024 |
| Volume | 28 |
| Publication date | 2024-01-01 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Amerika (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 2107-0806 • E-ISSN: 2107-0806 |
| Publisher | OpenEdition (PUBLISHER) |
| DOI | 10.4000/12224 |
| OpenAlex | W4400828435 |
| Language | PT |
| References cited | 3 |
Historicamente, o documentário brasileiro se constitui como um discurso sobre o Outro. Em seus primórdios, aventureiros quase todos europeus percorriam o país registrando paisagens e famílias provincianas. Na modernidade, realizado por intelectuais de classe média, dedicou-se a buscar a identidade nacional (ou latino-americana), denunciar as mazelas sociais e "dar voz" aos camponeses e moradores de favelas, todos considerados periféricos. O documentário contemporâneo destaca-se daquelas manifestações por comportar relevantes relatos sobre a classe, o gênero e a raça da pessoa que o realiza. Isto decorre de um duplo movimento: antigos sujeitos passam a virar a câmera para si, enquanto outros sujeitos passam a realizar filmes. Atribui-se tal mudança a circunstâncias históricas que teriam contribuído para ambos movimentos, ademais mutuamente influenciados: o advento de novas tecnologias (permitindo uma democratização da produção e propiciando uma abordagem mais íntima, marca central do "Giro Subjetivo" constatado por Sarlo) e a deflação das narrativas realizadas a partir de rígidos paradigmas sociológicos, que perdem terreno após a queda do Muro de Berlim (e, no Brasil, do final de ditadura) para abordagens mais subjetivas que acentua o lugar de fala. Nessas produções, muitas vezes as "periferias" se tornam novos "centros". Demonstraremos essa mudança no documentário contemporâneo, mencionando a incontornável produção de Eduardo Coutinho (em sua abertura ao imaginário e ao relato do Outro) e acentuando suas consequências na representação de pessoas indígenas (a partir do emblemático Vídeo nas Aldeias) e negras (especialmente em Sementes - mulheres pretas no poder (Éthel Oliveira e Julia Mariano, 2020
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| Citation velocity | historical |
|---|---|
| Highly cited | No |