Festa da noiva? Conflito, gênero e parentesco numa etnografia sobre a organização de casamentos
Bibliographic Data
| ID | 4530408 |
|---|---|
| Authors | Michele Escoura (0000-0002-8822-2032, Universidade Federal do Pará, corresponding author) |
| Year | 2020 |
| Volume | 2 |
| Issue | 1 |
| Pages | 56-72 |
| Publication date | 2020-04-28 |
| Peer Reviewed | Yes |
| Open Access | Yes |
| Type | ARTICLE |
| Venue | Revista EntreRios do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (JOURNAL) |
| Journal identifiers | ISSN: 2595-3753 • E-ISSN: 2595-3753 |
| Publisher | Universidade Federal do Piaui (PUBLISHER • BR) |
| DOI | 10.26694/rer.v2i1.10478 |
| OpenAlex | W3036612897 |
| Language | PT |
| References cited | 3 |
Em 2015, quando esta pesquisa se iniciou, o mercado de festas de casamentos faturou R$ 17 bilhões no Brasil e, nesse cenário, é comum profissionais repetirem que o casamento é a "festa da noiva". Entretanto, a partir da análise de materiais de pesquisa de campo em São Paulo (SP) e Belém (PA) mostro, neste artigo, que a direção e o controle do casamento não são necessariamente privilégios femininos. Nesta pesquisa, meu objetivo central foi compreender a forma como relações são mobilizadas, forjadas e rompidas no processo de organização de festas de casamento. A despeito da ocasião se pretender um instante de celebração de novas alianças, na discussão coloco ênfase no caráter antagônico das relações. E olhando para aquilo que seria pressuposto como a antítese do momento de comunhão festiva, os confitos, evidencio o quanto fazer a festa, entretanto, era estar em estado de guerra. Textualmente, em um primeiro momento problematizo as dinâmicas entre noivas e noivos buscando desestabilizar convenções de gênero implicadas na composição de tais eventos. Nesse movimento, tensiono os limites da noção de "indivíduo" pressuposta pelas interações comerciais e abro a primeira camada de análise sobre o casamento enquanto um espaço-temporal de inevitável relacionalidade. Em seguida, mostro como há muitos outros personagens, além dos noivos, disputando poder de mando e seus lugares como donos da festa, numa dinâmica em que as hierarquias familiares são negociadas frente à hierarquia da própria celebração. E se as brigas pela denição do grupo antrião evidenciam que o casamento está longe de ser a "festa da noiva", acompanhando especialmente a batalha em torno da lista de convidados e o manejo prático das relações de parentesco nela implicada, argumento como o casamento se estabelece como uma festa de família e que produz, pelos conitos, a própria família
Art · Humanities · Gender, Sexuality, and Education · Social and Economic Solidarity · Urban and sociocultural dynamics
| Citation velocity | historical |
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| Highly cited | No |