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Bahsé Ahpose

O adocicamento das águas e dos peixes como regeneração da vida no Alto Vaupés, Noroeste Amazônico

Bibliographic Data

ID5165191
AuthorsJosé Carlos Almeida Cruz (corresponding author), Justino Sarmento Rezende (0000-0002-3108-2825), Thiago Mota Cardoso (0000-0002-7220-7487)
Year2024
Volume20
Issue2
Pages274-292
Publication date2024-11-30
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
Venue1700-tal: Nordic Journal for Eighteenth-Century Studies (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 1652-4772 • E-ISSN: 2001-9866
PublisherTrinity University Coates Library - DC Journals (PUBLISHER)
DOI10.70845/2572-3626.1405
OpenAlexW4405600594
LanguageFR
Citations received1

Nas paisagens etnográficas do Noroeste Amazônico brasileiro se encontra o Rio Vaupés, na Terra Indígena do Alto Rio Negro, no Município de São Gabriel da Cachoeira. Nessas paisagens, os povos do Vaupés fazem o Bahsé Ahpose, o adocicamento das águas e dos peixes na prática do tinguijamento. O conhecimento desse ritual e sua prática resulta do encontro de conhecimentos cosmológicos e cosmopolíticos na vida dos povos do Vaupés. Esse rito se realiza pelos diálogos dos kumuã (xamãs), para quem o adocicamento faz parte da fórmula presente na taxonomia de todas as “rezas” benéficas e está sempre presente nelas. Realiza-se o rito em três momentos: na preparação, na realização do tinguijamento e no adocicamento pós-tinguijamento. Este último é o “benzimento” de reordenamento (bahsé ahponukõsé) do local tinguijado e a adocicação das águas e dos peixes, como forma de negociação com wai mahsã (seres cósmicos) porque envolve as suas moradas. Para os povos do Vaupés Bahsé Ahpose evita a escassez dos peixes e ordena os locais ou lugares de subsistência (dehsubasé ahpose). É um ritual envolto em relação cosmopolítica com os ahko mahsã (gente água) e o wai mahsã (seres cósmicos). Neste artigo, juntamos as perspectivas de dois antropólogos indígenas e de um etnólogo americanista para argumentar que o não cumprimento das regras e preceitos estabelecidos pelas divindades criadoras (demiurgos/avôs do universo) e a não observância do rito de adocicamento “mumipose” (tornar a água em mel) é o que podem tornar o tinguijamento uma prática predatória

Biology · Environmental Sustainability and Education · Fish biology, ecology, and behavior · Indigenous Health and Education

  • Naming people, making bodies

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