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Terras arrasadas, cenários distópicos

Violência e resistência nos desastres-crimes da mineração no Brasil

Bibliographic Data

ID5767726
AuthorsEstefania Momm (0000-0001-7196-7022, Universidade de São Paulo), Guilherme Cavicchioli Uchimura (0000-0003-2457-6349, Universidade Federal do Paraná), Karina Oliveira Leitão (0000-0002-5581-5704, Universidade de São Paulo)
Year2021
Volume3
Issue2
Pages297-329
Publication date2021-12-21
Peer ReviewedYes
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueAMBIENTES Revista de Geografia e Ecologia Política (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 2674-6816 • E-ISSN: 2674-6816
PublisherUniversidade Estadual do Oeste do Parana - UNIOESTE (PUBLISHER)
DOI10.48075/amb.v3i2.28239
OpenAlexW4200626167
LanguagePT
Citations received1
References cited2

Os rompimentos das barragens nas bacias do Rio Doce e do Rio Paraopeba, respectivamente em novembro de 2015 e janeiro de 2019, para além das 300 mortes resultantes diretamente das duas catástrofes e da assustadora destruição ecológica por elas produzida, desencadearam a produção de um tecido de relações jurídico-econômicas de magnitude colossal orbitando em torno do processo de reparação. Para os argumentos apresentados neste artigo, recorre-se a dois instrumentos de análise: a aproximação metafórica às características das expressões artísticas distópicas e ao correlato efeito de estranhamento provocado ao público, buscando a partir deles desenvolver argumentos e análises com o objetivo de desnaturalizar processos e práticas jurídicas e econômicas observadas neste contexto. Da mesma forma, buscamos entender a relação de forças assimétricas dos atores envolvidos, atendo-nos contrastivamente às estratégias corporativas e às situações de resistência, mobilização e engajamento popular no contexto conflitual da luta por reparação integral. Discutimos de que modo as empresas violadoras constituem estratégias de poder que pressionam a desconstituição de saberes e práticas populares nos territórios atingidos e apresentamos a crítica ao uso da forma da violação do direito, oculta nas práticas de planejamento destas empresas. Por fim, são analisadas algumas das possibilidades de organização popular no contexto de uma reparação integral, balizadora das lutas mobilizadas contra a naturalização e a legitimação, da distópica violência dos desastres-crimes da mineração no Brasil. Palavras-chave: mineração; desastres-crimes; neoextrativismo; atingidos por barragens; reparação de danos. Abstract The dams bursts in the Doce River and Paraopeba River basins, respectively in November 2015 and January 2019, in addition to the 300 deaths resulting directly from the two catastrophes and the overwhelming ecological destruction they produced, triggered the production of a fabric of legal-economic relations of colossal magnitude orbiting around the reparation process. For the arguments presented in this article, two analysis arguments are used: the metaphorical convergence to the characteristics of dystopian artistic expressions, and the correlated effect of estrangement evoked, seeking to develop further arguments and analyses with the purpose of deconstruct established legal and economic processes and practices observed in this context. Similarly, we seek to understand the asymmetrical power relations of the actors involved, contrasting corporate strategies with situations of resistance, mobilization, and popular engagement in the conflictual context of the struggle for full reparation. We discuss how the violating companies constitute strategies of power that pressure for the deconstitution of popular knowledge and practices in the affected territories, and we present a critique of the use of rights violation hidden in the planning practices of these companies. Finally, some of the possibilities of popular organization in the context of full damage compensation are reviewed, underpinning the struggles mobilized against naturalization and legitimation, of the dystopian violence of the mining disasters-crimes in Brazil. Keywords: mining; disasters crimes; neoextractivism; affected by dams; damage repair. Tierras devastadas, escenarios distópicos: Violencia y resistencia en desastres-crímenes mineros en Brasil Resumen Las fallas de las represas en las cuencas de Río Doce y Río Paraopeba, respectivamente, en noviembre de 2015 y enero de 2019, además de las 300 muertes directamente resultantes de las dos catástrofes y la espantosa destrucción ecológica provocada por ellas, desencadenaron la producción de un tejido de relaciones jurídico-económicas de colosal magnitud en torno al proceso de reparación. Para los argumentos presentados en este artículo, recurrimos a dos instrumentos de análisis: la aproximación metafórica a las características de las expresiones artísticas distópicas y el relacionado efecto de extrañamiento provocado en el público, buscando desarrollar argumentos y análisis con el objetivo de desnaturalizar procesos y practicas jurídicas y económicas observadas en este contexto. Asimismo, buscamos comprender la relación de fuerzas asimétricas de los actores involucrados, enfocándonos en estrategias corporativas y situaciones de resistencia, movilización y compromiso popular en el contexto conflictivo de la lucha por la reparación integral. Discutimos cómo las empresas violadoras constituyen estrategias de poder que presionan la desconstitución de saberes y prácticas populares en los territorios afectados y presentamos la crítica al uso de la forma de violación del derecho, escondida en las prácticas de planificación de estas empresas. Finalmente, se analizan algunas de las posibilidades de organización popular en el contexto de la reparación integral, que sustenta las luchas movilizadas contra la naturalización y legitimación, de la violencia distópica de los desastres-crímenes mineros en Brasil. Palabras-clave: minería; desastres-crímenes; neoextractivismo; afectados por represas; reparación de daños

Hydropower, Displacement, Environmental Impact · Mining and Resource Management · Wildlife Conservation and Criminology Analyses

  • Terras arrasadas, cenários distópicos

    Open Access•Estefania Momm, Guilherme Cavicchioli Uchimura et al.•AMBIENTES Revista de Geografia e…•2021

  • Terras arrasadas, cenários distópicos

    Open Access•Estefania Momm, Guilherme Cavicchioli Uchimura et al.•AMBIENTES Revista de Geografia e…•2021

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