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Revisitando o conceito de gênero pelo viés da heteronormatividade

A Marca Incontornável Do Feminismo Lésbico

Bibliographic Data

ID5774643
AuthorsJuliana Ortega Aggio (0000-0001-6283-4797, Universidade Federal da Bahia, corresponding author)
Year2024
Volume36
Publication date2024-01-01
Open AccessYes
TypeARTICLE
VenueRevista de Filosofia Aurora (JOURNAL)
Journal identifiersISSN: 0104-4443 • E-ISSN: 1980-5934
PublisherFapUNIFESP (SciELO) (PUBLISHER)
DOI10.1590/2965-1557.036.e202431354
OpenAlexW4404925473
SciELOS2965-15652024000100347
LanguagePT

O presente ensaio tem como objetivo revisitar o conceito de gênero a partir da crítica feminista lésbica ao feminismo hegemônico da chamada segunda onda, que desconsiderou a heterossexualidade como um problema, o que reflete precisamente a sua força e seu caráter compulsório. Considerá-la significa revisitar o conceito de gênero em estreita relação com o caráter político de ser hétero. Diante dessa desconsideração do elemento da heterossexualidade para pensar o gênero "mulher" e o apagamento da existência lésbica, as feministas lésbicas da década de 80 obrigam o feminismo de sua época a se rever a partir da seguinte pergunta: para se tornar mulher é preciso se tornar hétera? A resposta afirmativa a essa pergunta traz dois elementos inovadores e incontornáveis pelo feminismo lésbico: (i) a determinação do gênero "mulher" pela heterossexualidade compulsória, e (ii) a existência lésbica como resistência a ser valorizada enquanto uma estratégia de libertação de todas as mulheres. Para tanto, pretendo expor o argumento central de que a heterossexualidade é compulsória na medida em que existe não apenas como uma mera prática sexual, mas enquanto uma instituição social, política e econômica, segundo Adrienne Rich, como um regime político que institui um modo hegemônico de pensar, segundo Monique Wittig, como um sistema sexo/gênero para Gayle Rubin, e como um padrão normatizante que determina o binarismo de gênero, segundo Judith Butler. Por fim, fica a pergunta sobre a possibilidade de superação da opressão de gênero: ou bem apostamos numa sociedade sem gênero, como o fez Wittig e Rubin, ou com múltiplos gêneros, como propõe Butler

Gender, Sexuality, and Education

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